Oceanos abrigam mais de 2 milhões de toneladas de plástico

Estudo que analisou a quantidade de lixo plástico presente nos mares do mundo aponta os plásticos de uso único como os principais poluentes. Se medidas não forem tomadas, a quantidade pode aumentar em mais de duas vezes até 2040.

Crianças brincam na costa da Baía de Manila, poluída por lixo doméstico, plástico e outros detritos, Filipinas.

Foto de Randy Olson
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 5 de jun. de 2023, 10:32 BRT

O 50º Dia Mundial do Meio Ambiente é celebrado neste 5 de junho. Promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a data tem como tema, em 2023, a eliminação da poluição plástica

Sob o lema Combata A Poluição Plástica, o Dia do Meio Ambiente oferece uma oportunidade para ampliar o apelo aos governos, cidades e empresas, a fim de que invistam e implementem soluções para acabar com a poluição plástica. Um dos pontos principais será a discussão sobre o impacto dos plásticos nos oceanos, que, segundo um estudo recente, já são os maiores depósitos de lixo plástico no mundo. 

(Leia também: Poluição por plástico é um problema grave — mas ainda não é tarde demais para solucioná-lo)

São 170 trilhões de partículas de plástico nos oceanos

Um estudo produzido pela 5 Gyres Institute, organização sem fins lucrativos que investiga  as principais questões mundiais sobre a poluição plástica, estima que o lixo plástico no oceano some 170 trilhões de partículas, o que significaria uma massa total de 2,3 milhões de toneladas de plásticos nos mares do mundo.

A pesquisa, publicada em março deste ano na revista Plos One, analisou dados coletados de 1979 a 2019 a partir de 12 mil pontos de amostragem nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além de locais específicos como o Mar Mediterrâneo. Os autores também fizeram uma extensa revisão de estudos anteriores e de trabalhos ainda não publicados cedidos por outros cientistas para garantir um resultado preciso e abrangente. 

Garrafas de plástico enchem a fonte Cibeles como forma de chamar a atenção para o impacto ambiental dos plásticos descartáveis, Madrid, Espanha.

Foto de Randy Olson

De acordo com as análises, o número de partículas plásticas no oceano aumentou mais de dez vezes entre 2005 e 2019. Em 2005, o mesmo instituto havia calculado 16 trilhões de partículas no oceano.

Os resultados alertam para um aumento “rápido e sem precedentes” na poluição plástica oceânica e aponta especialmente o descarte inadequado de plásticos de uso único como culpado. Segundo o estudo, os sistemas de gerenciamento de resíduos não acompanharam o ritmo de consumo de plásticos, que chegam aos mares arrastados pelos os rios que, por sua vez, ficam cheios de plástico levados pela chuva, vento e transbordamento de bueiros e lixo. 

Uma vez que o plástico chega ao oceano, ele tende a se decompor em pedaços cada vez menores, até ficarem minúsculos, como os chamados microplásticos

A poluição plástica pode ser ainda maior

Os autores do estudo alertam que ainda são necessários mais dados para ter a dimensão completa do problema plástico no oceano. Grande parte das amostras coletadas para o estudo vieram do Pacífico Norte e do Atlântico Norte, onde se concentram a maioria dos dados. Com isso, áreas como o Mar Mediterrâneo, o Oceano Índico, o Atlântico Sul e o Pacífico Sul ainda contam com lacunas de informações. 

Por isso, a pesquisa considera que a quantidade de plástico nos oceanos pode ser ainda maior, chegando a até 358 trilhões de partículas plásticas, pesando 4,9 milhões de toneladas. 

Sem uma ação política urgente, diz a pesquisa, a taxa da quantidade de plástico nos oceanos pode aumentar cerca de 2,6 vezes até 2040. 

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