As cerejeiras podem "respirar"? A ciência explica como isso é possível

Não só as folhas têm a capacidade de fotossíntese. Descubra como as árvores cerejeiras trocam dióxido de carbono e oxigênio com a atmosfera por meio de suas cascas no tronco.

Por Nalini M. Nadkarni
Publicado 18 de fev. de 2026, 08:10 BRT
Cerejeiras em flor na primavera no Jardim Botânico de Nova York, Estados Unidos.

Cerejeiras em flor na primavera no Jardim Botânico de Nova York, Estados Unidos.

Foto de Diane Cook and Len Jenshel

A beleza das cerejeiras impressiona. Mas além de observar sua floraçãovisitar os festivais de cerejeiras que ocorrem em vários lugares do mundo, especialmente no Japão e na China, conhecer melhor essas árvores e entender sua fisiologia

Por exemplo, qual é a primeira coisa que você faz ao entrar no carro depois de ele ter ficado o dia todo no sol quente? Abre as janelas! Bem, as árvores também precisam de janelas em seus troncos e galhos para permitir a circulação de ar.

Se você está pensando "Espere! Eu aprendi na aula de Botânica que a troca de gases ocorre nas folhas das árvores, não na casca", você está certo. As folhas têm pequenos orifícios em suas superfícies — chamados estômatos, ou "pequenas bocas" — que se abrem e fecham para permitir que as folhas absorvam dióxido de carbono e liberem oxigênio para a fotossíntese.

Porém, não só as folhas fazem esse processo… As árvores também respiram, assim como nós, absorvendo oxigênio e liberando dióxido de carbono. E a respiração ocorre nas células de todos os tecidos vivos das árvores, não apenas nas folhas.

Eliza Ruhamah Scidmore, ex-escritora, fotógrafa e editora da National Geographic, visitou o Japão pela primeira vez ...

Eliza Ruhamah Scidmore, ex-escritora, fotógrafa e editora da National Geographic, visitou o Japão pela primeira vez em 1885 e ficou encantada com as flores de cerejeiras como esta em um jardim público em Kanazawa. Voltando para casa em Washington, EUA, ela pediu às autoridades que plantassem essas mesmas árvores ao redor do Capitólio. Em 27 de março de 1912, a primeira de 3 mil cerejeiras — presentes do governo japonês — foi plantada ao redor da Tidal Basin. Quando ela morreu em 1928, suas cinzas foram enterradas em Yokohama. Uma cerejeira descendente de uma dada a Washington pelo Japão tem vista para seu túmulo. Suas flores caem suavemente na primavera e cobrem o chão com um tapete rosa.

Foto de Eliza R. Scidmore National Geographic Creative (265774)

Como essa troca pode ocorrer em partes das árvores que não são folhas, como troncos e galhos, tecidos que não possuem estômatos? É um enigma, pois a casca da árvore é a primeira linha de defesa. Ela age como uma camada impermeável que impede que insetos e doenças cheguem às estruturas internas da árvore.

Pense no tronco de uma cerejeira, com suas linhas estreitas gravadas na casca. Essas linhas — chamadas lenticelas, ou ainda “pequenas janelas” — são, na verdade, portais na casca que permitem que a árvore respire

Essas fendas em forma de lente na casca permitem a passagem de gases entre as células vivas no interior e o ar externo, fazendo com que as cerejeiras consigam “respirar” também por seu tronco.

Os botânicos também usam o formato das lenticelas para identificar árvores. Algumas árvores, como a cerejeira e a bétula, têm lenticelas bem proeminentes, mas a maioria é invisível a olho nu. Mesmo que você não consiga vê-las, elas estão lá, ajudando as árvores a sobreviverem até mesmo nos dias mais quentes.


** Neste trecho de seu novo livro "Tree Notes: A Year in the Company of Trees" (Notas sobre Árvores: Um Ano na Companhia das Árvores, em tradução livre), a Exploradora da National Geographic, Nalini M. Nadkarni, revela como pequenas "janelas" na casca das árvores as ajudam a respirar.

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