Novo dinossauro “arco-íris” pode ter brilhado como um beija-flor

O fóssil do animal, do tamanho de um pato, foi encontrado na China e tinha uma plumagem iridescente em toda a cabeça e no peito.terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Um novo dinossauro descoberto na China tinha penas que podem ter brilhado com as cores do arco-íris. Com base em seus restos mortais incrivelmente preservados, cientistas dizem que a cabeça e o peito do dinossauro parecem ter sido cobertos com penas iridescentes semelhantes às dos beija-flores modernos.

O corpo chamativo pode ter fornecido uma sugestão social ou sexual, como as caudas do pavão moderno. O dinossauro tem corpo de ave, incluindo o tipo de penas necessárias para voar, mas tem uma cabeça com crista que mais se parece com a de um velociraptor.

Considerando esses traços, o antigo animal foi chamado de Caihong juji, mandarim para "arco-íris com a crista grande" – relatou a equipe hoje no periódico científico Nature Communications.

Caihong viveu em florestas e pode ter planado de uma árvore para outra, atacando pequenos mamíferos e lagartos, segundo o coautor do estudo, Xing Xu, paleontólogo da Academia de Ciências Chinesa. Em vida, o carnívoro com tamanho de um pato pesava aproximadamente meio quilo.

"Fiquei chocado com as penas maravilhosamente preservadas, apesar de já ter visto muitos fósseis de dinossauros emplumados anteriormente", acrescenta Xu.

ARCO-íRIS NO ESCURO

As aves – os últimos dinossauros vivos – hoje usam as penas para voar, mas elas já serviram para conquistar potenciais companheiros ou melhorar o prestígio social. Fósseis de dinossauros sugerem que as penas evoluíram originalmente para exibição, apenas depois assumindo os traços necessários para o voo.

Como as aves modernas e antigas, os dinossauros provavelmente tiveram visão colorida e aproveitaram-se das exibições impressionantes e emplumadas. Em casos excepcionais, os cientistas podem revelar as cores originais das penas de dinossauro ao encontrar vestígios de sacos de pigmento chamados de melanosomas dentro de plumas fossilizadas.

Yang Jan, um fazendeiro local, encontrou o fóssil de Caihong na província de Hebei, no nordeste do país. Em fevereiro de 2014, o Museu de Paleontologia de Liaoning adquiriu o fóssil de Jan.

Quando os cientistas liderados por Dongyu Hu, paleontólogo da Shenyang Normal University na China, examinaram o fóssil, descobriram que seus restos mortais bem preservados continham vestígios de pigmento em suas penas. A equipe amostrou 66 locais ao redor do fóssil, comparando os melanosomas que viram com melanosomas de penas de aves modernas.

Na cabeça, peito e em partes da cauda de Caihong, os pesquisadores viram melanosomas longos, planos e organizados em folhas. Esses padrões combinam mais adequadamente com os melanosomas nas penas iridescentes da garganta dos colibris.

Em colibris, estruturas similares dividem a luz como um prisma, criando um brilho metálico que muda de cor com o ângulo de visão. A equipe não conseguiu reconstruir as cores exatas das penas do dinossauro, mas suspeitam que os pigmentos observados davam a Caihong um brilho como o arco-íris.

Os paleontólogos já viram esse brilho nos dinossauros antes. Em 2012, os cientistas descobriram evidências de que o Microraptor tinha um brilho azul sob o assim como os corvos modernos e as iraúnas. Mas ao contrário de Caihong, o Microraptor era brilhante por inteiro, e mais jovem: viveu 40 milhões de anos depois do Caihong.

"Quando colocamos esses dados na árvore da evolução, reconhecemos duas formas diferentes de criar cor iridescente em pequenos dinossauros raptores antes da origem das aves", diz Julia Clarke, paleontóloga da Universidade do Texas em Austin e coautora dos estudos sobre o Caihong e o Microraptor.

MAIS QUE UM SHOW DE LUZES

O Caihong talvez não tenha usado suas penas apenas para se mostrar, observa o paleontólogo Steve Brusatte da Universidade de Edimburgo, que analisou o estudo antes da publicação.

"Sua plumagem era um arco-íris brilhante de cores iridescentes, mas não só isso", diz ele. "Também tinha uma crista óssea que acabava na frente de seus olhos, o que provavelmente também era uma estrutura de exibição".

Além disso, Xu diz que a cauda de Caihong tem penas assimétricas, e suas bordas frontais curtas e rígidas suportariam a carga aerodinâmica de voo. Caihong é agora o animal conhecido mais antigo a ter essa adaptação. O icônico dinossauro Archaeopteryxalso tem penas assimétricas, mas viveu dez milhões de anos depois.

Com Caihong, "quem sabe quais foram as funções desta grande e larga cauda?", diz o explorador da National Geographic, Ryan Carney, biólogo da Universidade do Sul da Flórida, que estuda o Archeopteryx. "Talvez tenha sido mantida como um fundo escuro para fornecer contraste em relação à cabeça iridescente durante as exibições?"

Clarke, especialista na origem das aves, diz que os pesquisadores também ainda não podem ter certeza de como o Caihong usou suas penas iridescentes ou se os machos e fêmeas da espécie tinham plumagens diferentes. Para isso, os paleontólogos só podem esperar mais estudos sobre o fóssil, e talvez mais ossos de Caihong e outros dinossauros emplumados.

"Quanto mais dinossauros emplumados acharmos, mais aprendemos sobre sua relação com os pássaros", acrescenta Brusatte. "Nós temos que pensar nesses animais como aves. Se estivéssemos vivos naquela época, é assim que teríamos os classificado."

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