Como é o canibalismo entre os animais?

Em humanos, a prática está muito ligada a costumes ritualísticos e transtornos psicológicos. Entretanto, quais os motivos e consequências do canibalismo no reino animal?

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 30 de nov. de 2022 10:33 BRT
Um camarão rosa devora os restos de outro camarão. Flórida

Um camarão rosa devora os restos de outro camarão. Flórida

Foto de Robert Sisson

A prática do canibalismo em humanos tem razões ligadas à fé e até a transtornos psicológicos. Entretanto, no mundo animal, esse tipo de relação pode trazer vantagens evolutivas. 

É o que diz Neuza Rejane Wille Lima, doutora em ecologia e professora da Universidade Federal Fluminense, no livro Tipos de Canibalismo – Ecologia, Evolução e Sociedades, publicado em 2022. Segundo ela, o canibalismo entre os animais selvagens é visto por especialistas como um tipo de relação ecológica desarmônica, mas que pode beneficiar as espécies. 

Tipos de canibalismo entre os animais 

Por  definição, Lima diz que o canibalismo é a prática de um indivíduo matar outro da mesma espécie para se alimentar parcial ou completamente. Entre os animais selvagens, a prática pode ser classificada em cinco tipos, segundo as relações de parentesco ou social entre os envolvidos:

  • Intrauterino: quando um embrião se alimenta de outro ainda dentro do útero;
  • Filial: quando animais adultos devoram seus próprios ovos, larvas ou os mais jovens. Esse tipo é observado em hamsters, por exemplo;
  • Fraternal: canibalismo entre animais irmãos, podendo ser da mesma ou de outra geração. É observado com fins de redução populacional vantajosa para os sobreviventes;
  • Sexual: geralmente praticado pelas fêmeas. Acontece antes, durante ou depois do acasalamento. A viúva-negra é uma espécie conhecida por praticar esse tipo de canibalismo; 
  • Matricial: um tipo extremo em que a mãe se alimenta de seus próprios filhotes. É observado em anfíbios invertebrados, como as cobras-cegas (Gymnophionas);

Patológico: ocorre como consequência de convívio social em ambientes que geram estresse extremo. É observado, por exemplo, em frangos em cultivo intensivo que passam por condições como falta de luz e de espaço, temperaturas inadequadas e infestações de parasitas (piolhos).

Uma piranha fisgada foi comida viva por sua própria espécie. Rio das Mortes, Brasil.

Foto de Paul Zahl

Outras definições para o canibalismo

Além de definir aquela espécie que come um ser da própria espécie, o termo “canibalismo” também é usado como metáfora para outros fenômenos, da astronomia à biologia. 

Em seu livro, Lima explica que o canibalismo celular ocorre quando uma célula envolve, mata e digere outra célula. O processo é comumente observado em alguns casos de câncer, como o melanoma. 

Já as estrelas canibais são aquelas que engolfam outras estrelas ou até outros planetas, segundo a Nasa. Evidências disso foram observadas pela primeira vez em 2010, em uma gigante vermelha conhecida como BP Piscium, que apresentava discos de poeira e gás ao seu redor, o que é característico de uma estrela jovem. Os astrônomos da Nasa concluíram que esses discos eram restos de uma interação catastrófica em que uma estrela próxima ou planeta gigante foi consumido pela BP. 

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