Os 5 maiores mitos sobre energia renovável desmontados por National Geographic

Do real perigo representado pelas turbinas eólicas ao preço da instalação de painéis solares em residências, aproveite o Dia Internacional da Energia Limpa para conhecer melhor estas tecnologias.

Por Meryl Davids Landau
Publicado 23 de jan. de 2026, 07:08 BRT
Painéis solares captam a luz do sol em uma usina elétrica no sul da Espanha, 2008.

Painéis solares captam a luz do sol em uma usina elétrica no sul da Espanha, 2008.

Foto de Michael Melford, Nat Geo Image Collection

Os últimos dez anos foram os mais quentes já registrados, um aumento dramático que elevou as temperaturaso nível dos oceanosderreteu geleiras e aumentou os danos causados por desastres naturais, incluindo furacões, inundações, incêndios florestais e tornados — efeitos que ameaçam as espécies da vida selvagem e a saúde humana. Por isso mesmo, o Dia Internacional da Energia Limpa, uma efeméride criada pela ONU (Organizações das Nações Unidas) celebrado anualmente em 26 de janeiro, é um incentivo para refletir sobre esta realidade.

Os cientistas estão certos de que controlar os gases de Efeito Estufa que estão aquecendo o planeta requer grandes mudanças para energias renováveis. Felizmente, o mundo está adotando cada vez mais essas tecnologias. Em 2025o carvão ficou atrás de energias renováveis – como a solar e a eólica – como principal fonte de eletricidade global.

Ainda assim, os mitos sobre a energia renovável são comuns, afirma Andy Fitch, advogado do Sabin Center for Climate Change Law, um centro de pesquisa dedicada ao tema da Columbia Law School, uma das mais prestigiadas faculdades de Direito dos Estados Unidos. 

Fitch é coautor de um relatório que refuta dezenas de equívocos sobre as energias renováveis. Essas informações erradas e, em alguns casos, desinformação proposital, podem levar as pessoas a se oporem a projetos renováveis em suas comunidades. O apoio a parques eólicos na costa de Nova Jersey, nos Estados Unidos, por exemplo, caiu mais de 20% em menos de cinco anos após o início da circulação de alegações enganosas e falsas. 

É fácil criticar a ideia de uma transição energética”, porque é um conceito novo para muitas pessoas, diz Fitch. Aqui estão alguns dos principais mitos e o que a ciência realmente revela sobre este tema.

(Você pode se interessar por: O retorno dos últimos cavalos selvagens registrado em fotos de National Geographic no Cazaquistão)

Mito nº 1: a energia renovável não é confiável

Sempre haverá dias em que as nuvens cobrirão o Sol ou o vento estará parado. Mas é improvável que essas condições ocorram ao mesmo tempo em todas as áreas geográficas. “Sempre há uma maneira de coordenar a matriz energética” para manter as luzes acesas, diz Fitch.

Hoje, essa coordenação geralmente inclui eletricidade proveniente de combustíveis fósseis ou carvão. No estado norte-americano da Califórnia, por exemplo, onde mais da metade da energia atualmente vem de fontes solares, eólicas e outras renováveis, o gás natural e outras fontes não renováveis geram o restante.

No futuro, os planejadores energéticos prevêem redes coordenadas em grandes áreas geográficas que enviam continuamente energia renovável para locais em uma calmaria climática temporária. Esse é o sistema usado pela Suécia e pela Áustria, que obtêm toda ou a maior parte de sua energia a partir de fontes renováveis.

mais populares

    veja mais
    Ladeada por turbinas eólicas, esta barragem protege as terras agrícolas que se encontram quase inteiramente abaixo ...

    Ladeada por turbinas eólicas, esta barragem protege as terras agrícolas que se encontram quase inteiramente abaixo do nível do mar na cidade de Flevoland, nos Países Baixos.

    Foto de George Steinmetz

    As melhorias na tecnologia de armazenamento também permitirão cada vez mais que a energia renovável seja capturada durante dias ensolarados ou ventosos. Atualmente, cerca de 10% da energia solar da Califórnia é armazenada para uso noturno. De todas as formas, nenhum método de energia é perfeito, e a energia gerada a partir de combustíveis fósseis também falha às vezes, observa Fitch.

    Mito nº 2: colocar energia solar em telhados é muito caro

    Nos últimos anos, energia solar vem se tornando mais econômica, principalmente considerando sua vida útil frente a outras formas convencionais de energia – como gás, carvão e energia nuclear. 

    instalação de painéis solares nos telhados vêm crescendo em países como Estados Unidos e Espanha, por exemplo. Já segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a capacidade instalada de energia solar no Brasil passou dos 55 GW em 2025, o que configura um aumento de mais de 40% em relação a 2024.

    mais populares

      veja mais

      “Empresas estão usando câmeras com inteligência artificial para desacelerar ou desligar temporariamente as turbinas quando aves passam voando.”

      Também no Brasil, a energia solar se tornou a segunda maior fonte do país, com 22% da matriz elétrica, de acordo com um artigo da Agência Brasil (entidade de notícias oficial do governo federal brasileiro). “Segundo a Absolar, a fonte solar evitou a emissão de cerca de 66,6 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²) na geração de eletricidade”, diz a fonte em seu texto.

      As pessoas que moram em prédios de apartamentos ou inquilinos também podem economizar dinheiro com a energia solar. Também os proprietários de terras se beneficiam desse tipo de fonte renovável – e essas fazendas solares ficam conhecidas como agrivoltaicas. Isso permite que certas culturas usem menos água e que os animais se refresquem à sombra.

      Mito nº 3: a energia eólica inevitavelmente mata a vida selvagem

      Com centenas de milhares de turbinas em operaçãoa energia eólica representa atualmente 8% da energia mundial. Mas, juntamente com o surgimento desses modernos moinhos de vento, surgiram histórias de pássaros, baleias e até insetos e morcegos mortos ou feridos em sua presença.

      Em alguns casosenergia eólica pode causar uma pequena fração das mortes de animais selvagens, mas elas “são insignificantes em comparação com o que as mudanças climáticas estão causando ao habitat [dos animais]”, diz Douglas Nowacek, especialista em tecnologia de conservação da Duke University, na Carolina do Norte, Estados Unidos. “Se quisermos desacelerar essas mudanças negativas, temos que adotar a energia renovável.”

      Quando se trata de baleias ou outros mamíferos marinhos, “não temos nenhuma evidência — zero” de que qualquer desenvolvimento eólico offshore os tenha matado, diz Nowacek, que estuda isso como pesquisador-chefe do programa "Vida Selvagem e Energia Eólica Offshore", da mesma universidade. É fato que a maioria desses animais morre por colisões com navios e emaranhamentos mortais em equipamentos de pesca comercial. 

      O ruído produzido quando colunas pesadas são cravadas no solo durante a construção pode perturbar temporariamente as baleias na área, mas a intrusão é tão pequena que “uma baleia que marcamos não se moveu quando o martelamento começou”, diz ele. A detonação para a exploração de petróleo offshore é muito mais perturbadora, e os derramamentos de petróleo causam danos extensos à vida marinha, afirma ele.

      No entanto, as turbinas eólicas estão se mostrando um problema para certas espécies de aves — mais de meio milhão morrem a cada ano ao colidir com turbinas nos Estados Unidos, estima a American Bird Conservanc (organização sem fins lucrativos que se dedica à conservação de aves nativas e seus habitats em todo continente americano). No caso específico da América do Nortedois terços das aves também correm risco de extinção devido ao aumento das temperaturas causado pelas mudanças climáticas.

      Cientistas que trabalham para mitigar as colisões de aves estão estudando por que algumas espécies são mais propensas a sofrer danos, a altura em que as aves migratórias voam sobre a água (permitindo que futuras turbinas sejam construídas mais baixas) e se pintar as pás de preto ou com padrões contrastantes pode ajudar. 

      Algumas empresas estão usando câmeras com inteligência artificial para desacelerar ou desligar temporariamente as turbinas quando bandos de aves passam voando. Um projeto na Espanha salvou 62% das aves vulneráveis dessa forma, sem quase nenhuma redução na geração de energia. 

      mais populares

        veja mais
        Veículos elétricos carregam em nova estação em Braintree, Reino Unido. Pesquisadores estão perto de conseguir desenvolver ...

        Veículos elétricos carregam em nova estação em Braintree, Reino Unido. Pesquisadores estão perto de conseguir desenvolver uma bateria de carros elétricos capaz de recarregar em no máximo 10 minutos.

        Foto de Chris Ratcliffe, Bloomberg/Getty Images

        Mito nº 4: os carros elétricos não conseguem percorrer longas distâncias sem recarregar

        Os veículos elétricos são um elemento importante na transição para as energias renováveis porque, ao contrário dos carros a gasolina, podem ser recarregados com energia solar e eólica. Os veículos elétricos também são mais eficientes em termos energéticos, uma vez que utilizam quase toda a sua energia para conduzir, em comparação com os carros tradicionais, que utilizam apenas 25%. (A maior parte do restante é perdida sob a forma de calor.)

        preocupação de que os veículos elétricos não consigam chegar ao seu destino provavelmente vem dos primeiros protótipos, quando os carros desenvolvidos na década de 1970 rodavam menos de 64 km por carga. Hoje, cerca de 50 modelos podem rodar mais de 480 km, com alguns chegando a ultrapassar os 800 km.

        As preocupações com a longevidade das baterias dos veículos elétricos também são infundadas. Apenas 1% das baterias fabricadas desde 2015 tiveram que ser substituídas (excluindo os recalls de fabricação, que têm sido insignificantes nos últimos anos). Estudos realizados pela empresa Tesla descobriram que a capacidade de carga de seus sedãs caiu apenas 15% após 320 mil km.

        As montadoras continuam pesquisando maneiras de melhorar a vida útil e a capacidade das baterias dos veículos elétricos, o componente mais importante do carro, diz Micah Ziegler, que estuda energia sustentável e políticas públicas no Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos.

        As baterias dos veículos elétricos evoluíram a partir da tecnologia de íons de lítio recarregáveis, pioneira na década de 1990 para eletrônicos portáteis. As atualizações ao longo dos anos reduziram a necessidade de metais prejudiciais ao meio ambiente (incluindo cobalto e níquel) e aumentaram sua densidade energética para permitir baterias menores e mais potentes. 

        Espera-se que os projetos futuros ampliem ainda mais suas capacidades. Os cientistas estão trabalhando em tecnologias que trocam eletrólitos líquidos internos por materiais sólidos mais estáveis, substituem seus íons de lítio por sódio mais facilmente disponível ou usam um eletrodo inovador de um único cristal que dura milhões de milhas.

        Mito nº 5: as energias renováveis estão no caminho certo para resolver a crise climática

        O mundo está em uma situação melhor do que estaria sem as energias renováveis. Antes do Acordo de Paris, de 2015, exigir essa transição energética, os especialistas previam um aquecimento global de 4 °C até 2100; agora, eles esperam que ele fique abaixo de 3 °C, de acordo com um relatório recente do World Weather Attribution (Atribuição Climática Global ), um grupo de pesquisa climática. 

        Mas mesmo essa metaainda levaria a um planeta perigosamente quente”, afirma o relatório. No verão de 2025, observatórios havaianos documentaram concentrações de dióxido de carbono acima de 430 partes por milhão — um recorde muito acima da meta de 350 PPM estabelecida em Paris.

        Para desacelerar suficientemente o aquecimento climático, os especialistas afirmam que a geração eólica deve mais que quadruplicar seu ritmo atual até 2030, e a energia solar e outras energias renováveis também devem ser adotadas de forma mais ampla. No entanto, embora os investimentos globais em energia renovável tenham aumentado 10% no primeiro semestre do ano passado, eles caíram mais de um terço nos Estados Unidos, um dos maiores emissores de CO2 do mundo.

        “Manter nossa produção de energia como está agora é profundamente insustentável”, diz Fisk. É por isso que é importante “fazer comparações justas entre uma fonte de energia e outra” — um processo que requer separar os mitos dos fatos.

        mais populares

          veja mais
          loading

          Descubra Nat Geo

          • Animais
          • Meio ambiente
          • História
          • Ciência
          • Viagem
          • Fotografia
          • Espaço
          • Saúde

          Sobre nós

          Inscrição

          • Assine a newsletter
          • Disney+

          Siga-nos

          Copyright © 1996-2015 National Geographic Society. Copyright © 2015-2026 National Geographic Partners, LLC. Todos os direitos reservados