Fotos surpreendentes revelam plástico e plânctons lado a lado

Logo abaixo da superfície do oceano há um mundo onde pequeninas criaturas nadam em uma densa sopa de plástico.sábado, 9 de fevereiro de 2019

Por Sarah Gibbens, Laura Parker
Fotos de David Liittschwager
A vida marinha, como esse filefish, e pequenos pedaços de plástico foram coletados em uma amostra da água da superfície do oceano na costa de Kiholo, Havaí. Com base em seu tamanho, os cientistas da NOAA estimam que o peixe tenha cerca de 50 dias de idade.
A vida marinha, como esse filefish, e pequenos pedaços de plástico foram coletados em uma amostra da água da superfície do oceano na costa de Kiholo, Havaí. Com base em seu tamanho, os cientistas da NOAA estimam que o peixe tenha cerca de 50 dias de idade.
Foto de David Liittschwager

CORRENTES CONVERGENTES NA superfície do oceano criam alguns dos melhores lugares para encontrar vida. É ali que o minúsculo plâncton costuma ficar—e onde há plâncton, há também peixes famintos.

Esse também é o local onde muitos pesquisadores estão se deparando com um novo e onipresente residente do oceano — o plástico.

“Para mim, a quantidade que há em amostras relativamente pequenas é um pouco chocante” diz o fotógrafo e explorador da National Geographic David Liittschwager. No mês de julho, Liittschwager acompanhou cientistas que coletavam amostras da água das costas do Havaí, onde as correntes convergem e formam manchas cheias de plâncton. Com o uso de redes, eles coletaram 400 metros cúbicos de água da superfície em baldes simples de quase 19 litros e os transportaram até um laboratório em Big Island, no Havaí.

Nesse par de imagens, a vida marinha (esquerda) e restos de plásticos (direita) são separados em fotografias diferentes. Plânctons e plástico foram retirados de uma amostra de 358 metros cúbicos de água no Havaí que se formou a partir de correntes convergentes, chamadas de manchas. Com frequência, elas contêm a mais alta concentração de pequenos objetos flutuantes na água.
Nesse par de imagens, a vida marinha (esquerda) e restos de plásticos (direita) são separados em fotografias diferentes. Plânctons e plástico foram retirados de uma amostra de 358 metros cúbicos de água no Havaí que se formou a partir de correntes convergentes, chamadas de manchas. Com frequência, elas contêm a mais alta concentração de pequenos objetos flutuantes na água.
Foto de David Liittschwager

Além de fotografar amostras de água do Havaí, Liittschwager também estudou a água em um laboratório em Plymouth, na Inglaterra. Essa água de superfície foi coletada de um local próximo, em baldes rebocados atrás de grandes navios.

Liittschwager distribuiu a água em bandejas para fotografar o conteúdo de perto. Suas fotos revelam um mundo em que os movimentos dos plânctons e do plástico se entrelaçam. Pequenas larvas de peixe flutuam junto com coloridos pedacinhos de plástico e linha de pesca. Algumas imagens são tão densas que fica difícil diferenciar o que está vivo do que não está.

Embora as imagens pareçam coloridas obras de arte abstrata do oceano, essas amostras revelam uma crescente e traiçoeira ameaça aos oceanos. O microplástico consiste em qualquer pedaço de plástico que meça menos que cinco milímetros e é encontrado nos oceanos em todas as partes do mundo. Ele percorre rios internos e chega até as fossas mais profundas do oceano. O microplástico provém da fragmentação do lixo plástico em partículas praticamente invisíveis, causada pelo desgaste e pela luz ultravioleta.

Agora, os cientistas estão tentando descobrir como o microplástico pode estar prejudicando pessoas e a vida marinha. Em 2017, um estudo revelou que anchovas confundem plástico com comida, possivelmente atraídas pelo cheiro de algas que fica impregnado no lixo. Esses pequenos peixes são consumidos por peixes maiores que estão acima na cadeia alimentar, e por isso os cientistas se preocupam que o microplástico possa acabar em nossos pratos. Um estudo publicado em outubro constatou que o microplástico já está presente em 90% do sal de mesa.

“O plástico é um material incrível”, diz Liittschwager. “Mas a ideia de fazer algo de uso único é absurda.”

Ele ficou comovido com as imagens do plástico escondendo maravilhas naturais nas duas últimas décadas. Em 1994, foi uma praia cheia de lixo no Havaí, onde algumas costas ficam do lado receptor do lixo proveniente da Grande Mancha de Lixo do Pacífico. Dez anos depois, ele estava em uma remota ilha do Havaí com outros cientistas que tentavam descobrir por que filhotes de albatroz estavam morrendo precocemente. Uma autópsia do conteúdo do estômago revelou tampas de garrafas e outros pedacinhos de plástico.

Filhotes de peixes, inclusive um jovem dourado-do-mar (centro), são vistos nadando junto com restos de plástico, como luvas de borracha e fragmentos de plástico.
Filhotes de peixes, inclusive um jovem dourado-do-mar (centro), são vistos nadando junto com restos de plástico, como luvas de borracha e fragmentos de plástico.
Foto de David Liittschwager

Como Liittschwager descreve, sua missão é apenas documentar o que é real.

“Queria que as pessoas vissem o que realmente há ali”, diz.

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