
Do eclipse total da Lua de Sangue até um desfile planetário: os 9 fenômenos astronômicos de março de 2026
A aparência que a Lua deve ter durante o eclipse lunar total de março de 2026, segundo informações da Nasa.
Março traz um dos eventos astronômicos mais comentados quando aparece em qualquer calendário de eventos astronômicos: um eclipse lunar total, que ocorrerá em 3 de março. Este eclipse deixará a Lua com um tom carmim, fazendo com que ela seja conhecida como Lua de Sangue.
No Brasil, este eclipse “será visto somente como penumbral e parcial, perto do horário do nascer do Sol”, explica o Observatório Nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo brasileiro. Mas o eclipse é apenas o começo.
As maravilhas interestelares do mês continuam com conjunções planetárias, chances acima da média de auroras boreais e maior visibilidade do centro da Via Láctea. Aqui estão nove maravilhas do céu noturno para observar em março: saiba quando e onde olhar.
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Um gráfico da Nasa (em inglês) mostra as fases do eclipse lunar de coloração avermelhado – a popular Lua de Sangue.
1º de março: um desfile planetário no horizonte
Quem perdeu o desfile de seis planetas no final de fevereiro, ainda há uma chance de vê-lo no início de março. Olhe para o oeste logo após o pôr do sol para ver Mercúrio, Vênus e Saturno brilhando baixo no horizonte.
Júpiter estará simultaneamente alto no céu sudeste. Embora Netuno e Urano estejam acima do horizonte, será necessário o uso de binóculos potentes ou um telescópio para vê-los. Netuno, especialmente, será difícil de avistar, pois se põe logo após o sol — e, por falar nisso, lembre-se: nunca aponte instrumentos ópticos para o oeste antes do pôr do sol.
3 de março: um eclipse lunar total conhecido como Lua de Sangue
Todos os olhos estarão voltados para o céu nas primeiras horas da manhã de 3 de março. A visão — um eclipse lunar total — transformará a Lua Cheia em um tom tangerina assombroso.
A mecânica de um eclipse lunar total desencadeia esse efeito de Lua de Sangue. Durante o evento, a Terra desliza entre o Sol e a Lua. O satélite da Terra entra em nossa sombra, conhecida como umbra, e dispersa os comprimentos de onda mais curtos da luz. Os comprimentos de onda vermelhos mais longos passam, criando aquele brilho alaranjado.
No Brasil, no entanto, o eclipse será visto de forma parcial. “Quando a Lua estiver totalmente eclipsada, ela já vai estar embaixo do horizonte aqui para nós. Então, o Brasil não vai ver o eclipse total”, continua o Observatório Nacional.
“No extremo oeste do Brasil, a Lua chegará a cerca de 96% de obscurecimento, percentual muito próximo da totalidade, mas ainda assim não caracterizado como um eclipse total visível", diz a fonte. Isso significa que estados como Acre, Amazonas e Roraima, por exemplo, poderão ver melhor a Lua de Sangue.
“Em outras partes do mundo, especialmente nas regiões localizadas em faixas mais a oeste do continente americano, será possível acompanhar a totalidade por mais tempo”, completa o Observatório Nacional.

A Via Láctea se curva acima de um barco de pesca na praia de areia negra vulcânica e nas formações rochosas de basalto de Vík í Mýrdal, no extremo sul da Islândia, em março de 2015.
7 a 8 de março: conjunção Vênus-Saturno
Vênus e Saturno se aproximarão um do outro, ficando próximos o suficiente para serem vistos através de um par de binóculos, nas noites de 7 e 8 de março. Observe a conjunção logo acima do horizonte oeste, onde a dupla permanecerá visível por cerca de 45 minutos após o pôr do sol.
Os planetas estarão mais perto nas noites de 7 e 8 de março, mas também estarão visivelmente próximos nas noites que antecedem e seguem a conjunção.
19 de março: Lua Nova e luz zodiacal
A Lua Nova deste mês ocorre em 19 de março. Essa diminuição da luz lunar proporciona condições excelentes para a observação de estrelas, especialmente para aqueles que buscam objetos do espaço profundo, como o aglomerado Beehive (grupo estelar aberto localizado na constelação de Câncer).
Meados de março também é uma boa época para observar a luz zodiacal, uma sutil pirâmide de luz acima do horizonte que se forma quando a luz solar se espalha pela poeira em nosso Sistema Solar interno.
Ela é visível até maio, mas é mais proeminente perto do equinócio e sob céus escuros — como aqueles em torno da Lua Nova. Observe-a no céu ocidental quando o crepúsculo começar, cerca de uma hora e meia após o pôr do sol.
20 de março: equinócio de outono
Será oficialmente outono no hemisfério sul a partir do dia 20 de março. O equinócio traz mais do que a mudança das estações. É frequentemente uma época com elevada atividade de auroras boreais devido à orientação dos pólos da Terra em torno do equinócio.
No Hemisfério Norte, por exemplo, será possível acompanhar auroras boreais em destinos como o Alasca, conhecido por seus céus relativamente claros em março, por exemplo.
22 de março: a Lua se aproxima das Plêiades
A Lua crescente fina viajará perto das Plêiades, um dos aglomerados de estrelas mais brilhantes do céu noturno. Para observar as duas juntas, olhe para o céu ocidental assim que o crepúsculo cair (cerca de 60 a 90 minutos após o pôr do sol). Observe também Vênus, brilhante, mas fugaz, acima do horizonte oeste.

Vênus e o brilho suave da luz zodiacal brilham acima de um observador de estrelas no deserto de Atacama em 2014.
26 a 27 de março: encontro entre Júpiter e a Lua
Júpiter e a Lua gibosa passarão perto um do outro no céu sudoeste, próximo à constelação de Órion, nas noites de 26 e 27 de março. Os astros se moverão juntos do pôr do sol até as primeiras horas da madrugada.
Saia para ver o sol se pôr e veja também Vênus alinhado perto do horizonte antes do fim do dia.
29 de março: ocultação lunar de Regulus
A Lua e a brilhante estrela Regulus se encontrarão durante a noite de 29 para 30 de março. Observadores do céu em partes da África, Ásia e Europa poderão apreciar uma ocultação lunar, quando a Lua passa diretamente na frente da estrela.
Todo o mês: visibilidade do núcleo da Via Láctea
O núcleo brilhante e dinâmico da Via Láctea está cada vez mais visível nas horas que antecedem o amanhecer deste mês. O centro galáctico nasce no sudeste e, em seguida, aparece em um arco acima do horizonte sul antes do nascer do Sol. Para ter a melhor vista, dirija-se a um destino com céu escuro, longe da poluição luminosa.