Uma imagem composta de Marte capturada pelas sondas Viking 1 e 2, da Nasa, realizadas no ...

Onde a Nasa está procurando por aliens no Sistema Solar? Conheça as descobertas mais recentes

Os cientistas passaram décadas buscando indícios químicos que pudessem apontar para a existência de vida além da Terra em várias missões espaciais. Eis o que se sabe sobre os extraterrestres.

Uma imagem composta de Marte capturada pelas sondas Viking 1 e 2, da Nasa, realizadas no o final dos anos 1970.

Foto de NASA, USGS
Por Becky Ferreira
Publicado 24 de fev. de 2026, 07:16 BRT

Em setembro de 2025, a Nasa anunciou a descoberta de um possível sinal de vida extraterrestre no Espaço, conhecido como potencial bioassinatura, em Marte. O rover Perseverance, que explora o leito seco de um lago há anos, encontrou vestígios de antigas reações de oxirredução, que podem ser produzidas tanto por vida quanto por processos geológicos.

Embora a origem das reações permaneça incerta, essa descoberta instigante representa o capítulo mais recente na busca por bioassinaturas em mundos extraterrestres. Por meio século, os cientistas têm se fascinado e intrigado com compostos e estruturas ambíguas em nossos planetas vizinhos — e, cada vez mais, em exoplanetas além do nosso sistema solar. 

Veja aqui um resumo das descobertas mais recentes e intrigantes e o que elas significam para nossa busca por vida em outros lugares do Universo.

Em julho de 2024, o rover Perseverance da Nasa capturou esta imagem de uma rocha apelidada ...
O rover Perseverance da Nasa tirou esta selfie composta em julho de 2024. À esquerda do rover, ...
À esquerda: No alto:

Em julho de 2024, o rover Perseverance da Nasa capturou esta imagem de uma rocha apelidada de "Cheyava Falls" na cratera Jezero, em Marte. Os cientistas estão particularmente interessados ​​nas "manchas de leopardo" de formato irregular, que podem indicar que, bilhões de anos atrás, reações químicas dentro dessa rocha podem ter sustentado vida microbiana.

À direita: Acima:

O rover Perseverance da Nasa tirou esta selfie composta em julho de 2024. À esquerda do rover, perto do centro da imagem, está a rocha em forma de ponta de flecha apelidada de "Cheyava Falls", que possui características que podem estar relacionadas à questão de se Marte abrigou vida microscópica em um passado remoto.

fotos de NASA, JPL-Caltech, MSSS

O que é um potencial bioassinatura em relação aos extraterrestres?


Vale ressaltar que a definição de um potencial bioassinatura é imprecisa. Processos geológicos podem produzir estruturas complexas, como cristais e polímeros, que dificultam a distinção entre sinais de vida e processos não biológicos.

“Se você perguntar: quão complexa pode ser a química não biológica? — a resposta é química biológica, porque a química biológica deriva da química não biológica”, afirma Sean McMahonastrobiólogo que lidera o Grupo de Paleobiologia Planetária da Universidade de Edimburgo, na Escócia.

De fato, existem estruturas na Terra que não se encaixam claramente nas categorias biótica ou abióticaFrances Westall, diretora emérita de pesquisa e ex-diretora do Grupo de Exobiologia do Centro de Biofísica Molecular na França, conta que levou quase 20 anos para confirmar a origem biológica de micróbios fossilizados australianos que datam de 3,45 bilhões de anos. 

Em um estudo publicado em setembro de 2025, sua equipe afirmou que esses micróbios, conhecidos como quimiolitotróficos, podem ser uma forma comum de vida extraterrestre que “são notoriamente difíceis de detectar e identificar”.

“Tive que esperar até que houvesse um instrumento adequado que pudesse medir essas pequenas coisas e conseguir detectar quantidades mínimas de carbono”, afirma Westall. “Levou uma eternidade, mas finalmente conseguimos os resultados conclusivos que tanto desejávamos.”

A possibilidade de formas de vida abstratas ou inesperadas, bem como a presença de novos processos geológicos, pode dificultar até mesmo a definição de um padrão para bioassinaturas.

Estamos procurando um sinal acima de um nível de referência e, na maioria das vezes, não sabemos o que está nesse nível de referência”, diz McMahon. É por isso que a busca por potenciais bioassinaturas tem uma história tão nebulosa, tanto no planeta Terra quanto além dele.

(Você pode se interessar também: Quem foi Carl Sagan, o cientista que desvendou o Cosmos e combateu a desinformação)

O experimento da missão Viking, da Nasa


As sondas Viking da Nasa pousaram em Marte no verão de 1976, tornando-se os primeiros robôs operacionais em sua superfície. As sondas estavam equipadas com um experimento chamado Labeled Release, que misturava amostras marcianas com água e nutrientes para detectar atividade biológica.

O experimento consistia em procurar gases emitidos pela amostra enriquecida com nutrientes que pudessem então revelar processos metabólicos de micróbios no solo marciano. Surpreendentemente, o teste detectou os mesmos gases que se esperava encontrar caso houvesse vida no solo, um resultado que corroborou testes anteriores com solo terrestre contendo micróbios.

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    Foto de NASA, JPL-Caltech, University of Arizona

    Embora o resultado fosse tentador, o experimento não reproduziu os mesmos resultados de forma consistente em testes subsequentes. Além disso, à medida que os cientistas aprendiam mais sobre a química do solo marciano, ficou claro que compostos abióticos comuns em Marte poderiam ter liberado os misteriosos gases detectados pela sonda Viking.

    Os resultados são agora amplamente considerados inconclusivos, na melhor das hipóteses, e muitas explicações abióticas possíveis foram propostas. Independentemente disso, todo o episódio desencadeou uma controvérsia que já dura décadas no mundo científico: sobre se a missão Viking realmente encontrou extraterrestres.

    Ainda não entendemos completamente o que aconteceu, o que é um pouco chocante quando paramos para pensar”, comenta McMahon. “Foi um experimento falho, sujeito tanto a falsos positivos quanto a falsos negativos.”

    Westall acredita que provavelmente existe uma explicação não biológica para o mistério da Viking, como a presença de compostos reativos no solo marciano capazes de produzir os gases detectados. Mas ela acrescenta que “podemos ser surpreendidos”.

    “É muito difícil afirmar com 100% de certeza se é positivo ou 100% negativo”, diz ela. “Minha impressão é que a análise foi interessante, mas simplesmente não temos dados suficientes para afirmar que seja um indício de vida existente.”


    Duas décadas depois: em 1996, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clintonanunciou a “possível descoberta de vida em Marte” após cientistas identificarem estruturas estranhas em um meteorito marciano que caiu na Antártida, que ficou conhecido como Allan Hills 84001

    Embora os pesquisadores inicialmente tenham especulado que as estruturas poderiam ser “restos fósseis de uma antiga biota marciana”, atualmente já existe um consenso generalizado de que elas podem ser explicadas pela geoquímica abiótica.

    A história do meteorito Allan Hills muitas vezes é vista como um exemplo de cautela em relação a conclusões precipitadas, mas também ajudou a estimular o interesse público e o investimento acadêmico na busca por vida.

    “Apesar de suas interpretações estarem erradas, o estudo realmente impulsionou o campo da astrobiologia”, afirma Westall. “Sabemos muito mais agora, 30 anos depois da publicação daquele artigo.”

    Bioassinaturas atmosféricas


    Além de buscar sinais de vida na superfície de outros mundos, os cientistas estão cada vez mais observando os céus de planetas distantes em busca de composições químicas atmosféricas que possam indicar atividade biológica.

    Em 2021, uma equipe relatou a detecção de fosfina, um composto com origens bióticas e abióticas, na atmosfera de Vênus. No início deste ano, outra equipe relatou uma possível bioassinatura atmosférica no exoplaneta K2-18b, localizado a cerca de 124 anos-luz da Terra. 

    Ambos os resultados geraram forte reação e inspiraram pesquisas sobre explicações não biológicas, o que provavelmente será um tema recorrente nos próximos anos, à medida que exploramos mais profundamente os céus extraterrestres.

    “Ainda estamos quase arranhando a superfície da química das atmosferas dos exoplanetas”, explica McMahon. “A maneira de encontrarmos vida começa com uma observação que não conseguimos explicar, e então o verdadeiro trabalho consiste em descobrir todas as explicações possíveis e fazer o trabalho de detetive científico.”

    Nesse sentido, a nova descoberta de reações redox pela missão Perseverance é empolgante, mas é apenas o começo de uma nova história, não a conclusão. O plano final é enviar outra espaçonave a Marte para coletar as amostras da Perseverance e trazê-las de volta à Terra, onde poderão ser examinadas minuciosamente. 

    Esse esforço poderia potencialmente revelar se a Perseverance já descobriu vida extraterrestre, embora a missão de retorno das amostras esteja ameaçada pelos cortes propostos pelo governo atual para a Nasa.

    Talvez um dia, sejamos capazes de identificar claramente uma verdadeira bioassinatura extraterrestre, finalmente resolvendo o grande enigma de estarmos ou não sozinhos no universo. Mas provavelmente precisaremos de muita paciência e dedicação para alcançar esse marco.

    "Seria terrivelmente emocionante", afirma Westall sobre a possível descoberta de vida alienígena. "Mas acho que provavelmente será como procurar uma agulha num palheiro."

    Becky Ferreira é autora do livro “First Contact: The Story of Our Obsession With Aliens” (em tradução livre, “Primeiro Contato: A História da Nossa Obsessão por Alienígenas”).

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