Entre lendas fantásticas e tubarões rondando a praia: os 3 dados sobre Recife, a cidade que virou fenômeno no cinema
Das fortalezas do século 17 ao frevo, passando por uma cena cultural fervilhante, conheça os cenários reais que dão profundidade a filmes brasileiros aclamados internacionalmente.

Foto panorâmica da Ilha de Antônio Vaz, que faz parte de Recife, a capital de Pernambuco. Na imagem, é possível ver os canais e a foz do rio Capiberibe cortando a cidade, alguns edifícios históricos, ainda, a praia ao fundo.
Uma cidade solar, de histórias muito particulares, lendas urbanas e forte presença cultural: esta é Recife, a capital de Pernambuco, no Nordeste brasileiro. A cidade que combina o antigo e o novo, a praia e o urbano, extrapolou os limites geográficos do país e está sendo conhecida no mundo através do cinema.
Tudo porque, recentemente, Recife se tornou cenário — e quase personagem — de o “O Agente Secreto”, uma produção brasileira dirigida por um cineasta pernambucano e que vem ganhando prêmios no Festival de Cannes, na França, e no Globo de Ouro®, em Hollywood, só para citar alguns.
Seja por conta de seu Carnaval tradicional – com blocos carnavalescos folclóricos como o Galo da Madrugada, considerado o maior do mundo pelo “Guinness Book", o livro dos recordes; ou do frevo, manifestação que se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco (desde 2012); ou pela beleza natural da capital, com seus rios que cortam a cidade, Recife merece ser melhor conhecida e visitada.
Por isso, a National Geographic listou os três dados sobre o Recife que todo mundo precisa saber.
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O rio Capiberibe, em Recife, com vista para a ponte Mauricio de Nassau - uma das principais e mais antigas da cidade.
1. Recife tem sua história marcada pela presença de portugueses e holandeses
Recife é, hoje, a terceira capital mais populosa do Nordeste, com cerca de 1,5 milhões de habitantes, segundo o censo de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de um índice de 0,77 de IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) e uma área territorial de 218,843 km², de acordo com site oficial do Governo Federal do Brasil.
Porém, sua história remonta a 1537, quando foi fundada por colonizadores portugueses pouco depois da chegada oficial deles ao Brasil. Nesta época, Recife era chamada inicialmente de Ribeira de Mar de Arrecifes por conta de suas praias com recifes de corais sendo povoada aos poucos por pescadores e onde o mar se encontrava com os rios Capiberibe e Beberibe. Eles cortam a capital recifense e fazem parte da paisagem local, como conta o site do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Uma das poucas edificações do século 17, época da ocupação holandesa em Recife: o Forte de São João Batista do Brum.
Recife se tornou a principal cidade da Capitania de Pernambuco, conhecida no mundo comercial da época, graças à cultura extensiva da cana-de-açúcar. Isso despertou o interesse dos holandeses que, atraídos pela riqueza da capitania e por sua posição estratégica, invadiram e ocuparam a cidade durante 24 anos, entre 1630 e 1654.
Sob domínio holandês, a cidade passou a denominar-se Maritzstad (Mauricéia ou Cidade Maurícia), nome dado em homenagem ao conde Maurício de Nassau, governador local. Seu traçado regular resultou dos ideais renascentistas aliados à tradição holandesa de instalar cidades em terrenos baixos. Sendo assim, Recife se desenvolveu junto à foz dos rios Capeberibe e Beberibe, construída com os sistemas e urbanização tradicionais dos invasores.
Desse período, os turistas ainda podem observar o Forte de São João Batista do Brum e a Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas. A ocupação holandesa chegou ao fim em 1654, na Campina do Taborda, onde pernambucanos (com apoio de portugueses) e holandeses se enfrentaram nas duas batalhas dos montes Guararapes, como relata o site do IPHAN.
No início do século 18, com sua economia garantida pelos mascates portugueses, ocorreram grandes transformações e a cidade foi finalmente elevada à categoria de vila com a denominação de Recife, em 1709.
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Praça do Marco Zero, um dos lugares mais importantes e emblemáticos do Centro Antigo de Recife - e que recebe diversas manifestações culturais da cidade.
2. Recife combina tradição, arte e natureza
Até os dias de hoje, o Centro Antigo de Recife preserva edificações históricas como as da Praça Barão do Rio Branco, mais conhecida como Marco Zero, um local com um belo casario colonial e a arquitetura barroca que são testamentos da influência européia da época.
E é justamente no Marco Zero de Recife e em seus arredores que diversas manifestações culturais acontecem, desde shows com artistas famosos regionais e nacionais, passagem de blocos de Carnaval e ainda apresentações de dança e música folclórica, como o frevo e o Maracatu Nação, que também é um patrimônio cultural do Brasil (desde 2014) pelo Iphan – e busca desde 2025 seu reconhecimento também na Unesco.
A cidade vive arte e cultura diariamente, sendo um lugar com vários grupos de teatro, de música e dança regional, como o grupo “Guerreiros do Passo”, por exemplo. De Recife também saíram cantores e bandas que se tornaram famosas nacionalmente, como o falecido Chico Science (que revolucionou a música nos anos 1990 unindo maracatu com pop e rock) e seu grupo, o Nação Zumbi – que existe até hoje; além de artistas como Mundo Livre S.A; Lenine, Duda Beat, Johnny Hooker, entre outros.


O Castelo São João, acima, faz parte do complexo cultural do Instituto Ricardo Brennand, em Recife.
O impressionante jardim da Oficina de Cerâmica Francisco Brennand, que fica no bairro da Várzea, em Recife e também merece uma visita.
Os visitantes de Recife também podem conhecer um local ideal para quem admira artes plásticas e arquitetura: o Instituto Ricardo Brennand. Um centro cultural com mais de 77 mil m² com o Museu Castelo São João, cercado de Mata Atlântica preservada, que possui uma pinacoteca com obras de holandeses como Frans Post, mas também conta com obras de Debret, Benedito Calixto, Antonio Parreiras, entre outros.
Ainda na seara da arte, bem próximo dali vale visitar o museu Oficina Cerâmica Francisco Brennand e o Parque de Esculturas Francisco Brennand (que era primo de Ricardo), um artista plástico ceramista reconhecido internacionalmente que construiu um conjunto arquitetônico impressionante que vai até o bairro da Várzea, como afirma o Visit Recife, site oficial da Secretária de Turismo municipal.
Vale citar ainda a Casa de Cultura de Pernambuco, a Antiga Casa da Moeda, o Cine Teatro do Parque e o Cine São Luiz, um dos poucos cinemas de rua que resistem na cidade e que já foi retratado em filmes nacionais dirigidos pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho.
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Vista da bela praia de Boa Viagem, em Recife. A mais famosa praia da cidade atrai turistas e recifenses, que devem ter atenção às placas de sinalização sobre os possíveis ataques de tubarão no mar.
3. As praias recifenses, como Boa Viagem, e sua fama ligada aos tubarões
A capital pernambucana é banhada pelo Atlântico e tem belas praia urbanas como a Praia do Janga, a Praia do Pina (com coqueiros, mar verde e boa estrutura), além da mais famosa e badalada de todas, a Praia de Boa Viagem. Ela tem uma orla repleta de edifícios e fica em um bairro com boa infraestrutura; traz opções de lazer, calçadão para prática de esportes, bares e restaurantes, de acordo com o Visit Recife.
Apesar de belas, algumas praias de Recife também podem ser perigosas. Isso porque tubarões costumam circular por essa região litorânea, sendo que Boa Viagem detém o título de praia urbana com o maior número de ataques de tubarão no Brasil.
Uma pesquisa da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que saiu em um artigo da “Revista Fapesp”, revelou que o relativamente pacífico tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) ocorre o ano inteiro nos mares da região.
Já o agressivo tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier), responsável pela maioria dos ataques a banhistas em praias de Recife, frequenta as águas costeiras da região durante o primeiro ano de vida, especialmente entre janeiro e setembro. As praias em que os tubarões podem aparecer possuem sinalização de segurança em relação ao banho de mar – que deve sempre ser respeitada.
Mas além de causarem acidentes terríveis, os ataques de tubarão entraram para a cultura local, criando lendas regionais como a da “perna cabeluda” nos anos 1970 – uma história local conectada com o filme “Tubarão” (1975) e a Ditadura Militar brasileira que também acabou nas telas de cinema.