Quais são os principais animais do Cerrado brasileiro?

Considerada a savana mais biodiversa do mundo, o cerrado abriga uma grande variedade de espécies de mamíferos, anfíbios e aves característicos do bioma

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 4 de abr. de 2023, 13:43 BRT
O tamanduá-bandeira é a maior espécie conhecida de tamanduá e seu nome deriva da forma como ...

O tamanduá-bandeira é a maior espécie conhecida de tamanduá e seu nome deriva da forma como a pelagem da sua cauda balança enquanto ele se movimenta.

Foto de Marcella Lasneaux Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Cerrado ocupa cerca de 24% do território nacional – quase um quarto do país – e é o único presente em todas as cinco regiões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em questão de variedade de espécies, o bioma é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade, segundo o IBGE.

O bioma do cerrado é o terceiro com mais diversidade de fauna, depois da Amazônia e da Mata Atlântica, segundo o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), uma organização da sociedade civil sem fins econômicos que atua pelo desenvolvimento com equidade social e equilíbrio ambiental no Planalto Central brasileiro. 

De acordo com o ISPN, estimativas apontam a presença de 252 espécies de mamíferos, 864 de aves, 180 de répteis, 210 de anfíbios e 1200 de peixes. Dentre todas elas, conheça alguns dos animais mais representativos do cerrado brasileiro:

1. Lobo-guará

Um lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), animal símbolo do Cerrado, mostra os dentes e a língua enquanto passeia grama alta e flores silvestres.

Foto de Joseph H. Bailey

Quando se pensa em animais do Cerrado, certamente, o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é lembrado. O lobo é considerado o símbolo desse bioma, apesar de ocorrer em outras áreas do país, como explica a Onçafari, organização sem fins lucrativos que atua no monitoramento, estudo e conservação da fauna brasileira. 

Com sua pelagem laranja-avermelhada, esse animal é o maior canídeo da América do Sul, podendo pesar até 36 quilos, diz o ISPN. Em geral, o lobo-guará tem uma vivência solitária e se alimenta de pequenos animais e de frutos variados do Cerrado – como a “lobeira” (Solanum lycocarpum), que é denominada assim justamente por ser apreciada pelo lobo, como conta o ISPN. 

Além disso, o animal também é protagonista de muitas lendas e da cultura locais, as quais dizem que o lobo-guará teria “poderes mágicos”, sendo capaz de aparecer e desaparecer num piscar de olhos.

2. Tamanduá-bandeira

tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é a maior espécie conhecida de tamanduá, possuindo um corpo medindo entre 1 e 1,33 metro e podendo pesar até 45 kg, como indica a Fundação Jardim Zoológico de Brasília. A espécie é encontrada em campos abertos e savanas, como o Cerrado, mas também ocorre em florestas tropicais e na caatinga

O animal possui uma pelagem espessa cuja coloração pelo corpo varia do acinzentado ao marrom, sendo mais alongada na cauda. Esta, por sua vez, costuma balançar quando o tamanduá corre, assemelhando-se a uma “bandeira”, por isso o seu nome popular, informa o zoológico de Brasília. 

Assim como todos os tamanduás, o bandeira não possui dentes e sua alimentação é insetívora, com preferência para cupins, formigas e pequenos invertebrados, os quais captura com sua língua comprida e pegajosa. Isso também faz com que um dos nomes pelo qual é conhecido seja papa-formigas-gigante. 

3. Carcará

Gavião carcará em área urbana na zona oeste da cidade de São Paulo. O nome científico da ave de rapina é uma combinação de uma onomatopeia tupi com um termo em latim e significa “águia que faz 'cará' 'cará'".

Foto de Cecilia Bastos Usp Imagens

Entre as centenas de aves presentes no Cerrado, uma que chama atenção é o carcará (Caracara plancus). Também chamado de carancho ou gavião-de-queimada, a ave de rapina brasileira é um parente distante dos falcões, segundo o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ainda de acordo com a instituição, seu nome científico vem do tupi caracará, uma onomatopeia indígena para o som emitido por esta ave, somado à palavra em latim plancus, que significa águia. Assim, seu nome significa águia que emite o som “cará”, “cará”.

Muito comum no bioma do Cerrado, a ave também pode ser observada em grande variedade de ecossistemas, principalmente regiões abertas e parques. Uma característica sua é que, geralmente, também caminha no chão, além de voar. A alimentação do carcará é variada, podendo incluir desde carcaças de animais, passando por répteis, anfíbios, outras aves e até mesmo amendoim, feijão e frutos de dendê, além de outros restos de comida que encontre no lixo, explicam as fontes do Museu Nacional do Rio de Janeiro. 

4. Seriema

A seriema pode chegar até 90 centímetros de comprimento e é uma das poucas aves do mundo que possui “cílios” (pestanas).

Foto de Daniel Gentili Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Se o lobo-guará é o mamífero símbolo do Cerrado, entre as aves quem tem esse posto é a seriema (Cariama cristata). Endêmica do bioma, a espécie pode atingir até 90 centímetros de comprimento na fase adulta e o seu peso é capaz de chegar até 1,4 quilos, segundo a Fundação Jardim Zoológico de Brasília. 

A ave possui uma plumagem cinza-amarelada, além de patas e bico vermelhos. Seu abdômen é um pouco mais claro que o dorso e é uma das raras aves que possuem pestanas (cílios). 

Além de representar o Cerrado, segundo o zoológico de Brasília esta ave também é símbolo do estado de Minas Gerais e é protegida em propriedades rurais por se alimentar de cobras. 

5. Perereca das nascentes

Phyllomedusa oreades faz parte de um gênero de anfíbios conhecido como as pererecas das nascentes por habitarem pequenos riachos em ambientes abertos no topo de montanhas e serras. A oreades é endêmica do Cerrado e se encontra distribuída nos platôs de Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, como informa o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

De coloração geral verde, estas espécies se caracterizam pelo belo desenho reticulado na parte de baixo de torso e membros, nos linhas escuras se sobrepõem ao fundo amarelo-alaranjado. 

Segundo o ICMBio, a perereca costuma ser registrada em altitudes acima dos 750 metros e apenas em riachos margeados com matas de galeria. 

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