“Avatar 3”: como a equipe de James Cameron criou o fantástico mundo no novo filme “Fogo e Cinzas”
O co-designer de produção do filme explica como organismos da vida real – em especial do ecossistema marinho – serviram de inspiração para o mundo de Pandora.

Uma cena do filme "Avatar – Fogo e Cinzas" que mostra as novas criaturas feitas especialmente para esta trama – o Medusóide.
Não é segredo que o fantástico mundo de Pandora, criado pelo célebre cineasta e explorador da National Geographic James Cameron, reflete nosso planeta Terra e imagina seus habitantes em uma relação mais harmoniosa com o meio ambiente. E com o lançamento do filme “Avatar: Fogo e Cinzas”, da Disney, nos cinemas do mundo todo a partir de 19 de dezembro, os espectadores conhecerão uma emocionante variedade de novos clãs e animais. (A Disney é a empresa controladora de National Geographic.)
Uma criatura intrigante no filme também funciona como meio de transporte usado por um novo clã chamado Wind Traders. O ser parecido com um dirigível — conhecido como Medusoid — voa pelo céu, com suas asas translúcidas abertas, enquanto transporta seus preciosos passageiros.
“É basicamente como um navio pirata pendurado em uma água-viva gigante”, diz Dylan Cole, co-designer de produção do filme que ajudou a criar essa forma de vida peculiar.
Embora as criaturas desses filmes sejam fictícias, o processo de dar vida a elas está mais próximo da ciência do que você imagina. Veja como os artistas por trás do filme criaram as criaturas bizarras, e muitas vezes bioluminescentes, do mundo de Pandora, em “Avatar”.
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Cena do terceiro filme da franquia de "Avatar": a natureza é a grande inspiração para os ecossistemas da franquia criada por James Cameron.
O processo de construção de um novo mundo em “Avatar”
As figuras centrais em “Avatar” são uma espécie alienígena chamada Na'vi, que tem uma relação profunda com o mundo natural. Elas costumam formar laços estreitos com as criaturas ao seu redor — sendo o Medusoid uma das mais novas do filme.
Como parte da equipe que dá vida a essas ideias, Cole pega as sementes das ideias do diretor Cameron e as ajuda a florescer em criações totalmente formadas. Cameron às vezes “tem uma visão embaçada”, diz Cole. “É nosso trabalho colocá-la em foco.”
No início, a equipe muitas vezes não sabe exatamente o que está buscando. “É como fazer um retrato de um dos filhos dele sem nunca tê-los conhecido”, diz ele. A intuição os guia até o produto final.
Felizmente, a natureza oferece a melhor inspiração. Copiar o mundo natural é “uma estratégia que funciona há muito tempo”, diz Leif Ristroph, físico experimental da Universidade de Nova York, que não participou do filme, mas costuma basear suas pesquisas em organismos vivos. “Você pode olhar para a natureza para expandir os tipos de soluções com as quais poderia sonhar.”
Embora “Avatar” seja uma ficção científica, os designers tentam ver o mundo dentro dele como um lugar real, pegando trechos da Terra e reimaginando-os ou recontextualizando-os. “É muito arrogante pensar, em um esboço feito em uma tarde, que poderíamos fazer melhor do que milhões de anos de natureza”, diz Cole.
Nos filmes, a equipe quer que tudo pareça o mais realista possível, o que significa buscar inspiração em organismos reais interessantes e peculiares que possam emprestar atributos às suas criaturas. Criar designs baseados em pesquisas é importante para Cameron, um aventureiro intrépido, e não é surpreendente que muitos dos animais de Pandora sejam influenciados pela vida marinha — afinal, Cameron já visitou o ponto mais profundo do oceano.
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Os esboços que ajudaram a equipe de produção a dar vida ao Medusóide.
Mais desenhos do Medusóide, novo animal da história de "Avatar 3".

No filme, o Medusóide (visto acima) e outras criaturas são fortemente influenciados pela natureza e pela vida selvagem.
Criando o Medusóide, uma das grandes novidades de “Avatar 3”
O Medusóide é uma água-viva bioluminescente de 150 metros que produz gás hidrogênio para flutuar e tem tentáculos pendentes para se alimentar, semelhantes aos da caravela-portuguesa. Como seu objetivo no filme é transportar as gôndolas do Clã Tlalim — os Comerciantes do Vento — pelo céu, os designers deram ao Medusóide velas em forma de gravata borboleta para que o clã pudesse controlá-lo.
Para controlar o Medusóide, os Tlalim prendem cordas às veias de suas velas. Sabendo que os Na'vi — os povos de Pandora — considerariam cruel perfurar o corpo de um animal, Cole incorporou nódulos naturais semelhantes a espinhos nas velas para prender o Medusóide.
O Medusóide é rebocado pelo raio-vento, semelhante a um animal marinho. “Basicamente, pegamos a ideia de uma lula e demos a ela um corpo com bolsa de gás”, diz Cole. “Ela tem aquele manto fino singular ao redor do corpo que se move em um movimento sinusoidal [semelhante a uma onda].”

Novas maneiras de voar mostradas em “Avatar”
De todas as criaturas que poderiam inspirar o Medusoid voador, as águas-vivas podem parecer uma escolha estranha, já que elas flutuam com a correnteza, sem ter muito controle sobre onde vão parar. Embora as aves sejam uma inspiração mais óbvia para o voo, muitas criaturas marinhas voam à sua maneira, diz Ristroph. Líquidos e gases são fluidos, portanto seguem as mesmas regras da física.
“Confundir natação e voo permite que você observe uma criatura nadando e se pergunte: ‘essa mesma estratégia ou uma estratégia semelhante pode ser usada para voar?’”
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Na água, você pode diminuir o efeito da gravidade ajustando a flutuabilidade, então fazer algo “voar” debaixo d'água “é realmente um passo em direção ao voo no ar”, diz Ristroph.
Como parte de sua própria pesquisa, Ristroph criou uma máquina voadora que imitava o movimento de uma água-viva para gerar sustentação — e funcionou. “Ela tem algumas propriedades de estabilidade, o que significa que a aeronave não tomba tão facilmente”, diz ele.
As ideias iniciais dos pesquisadores são frequentemente limitadas pelo que é possível no mundo real. As experiências científicas são “fortemente restringidas pela gravidade, pela física e pela matemática envolvida”, diz Ristroph. “Temos essas belas grades de proteção.”
Mas Cole tem suas próprias proteções para garantir que os espectadores se conectem com a história. “Não podemos ser muito estranhos”, diz ele, “porque você precisa se identificar com isso”. Se os personagens parecerem muito “diferentes”, as pessoas não conseguirão acreditar em suas vidas, lutas e sucessos, e o filme simplesmente não funcionará.
Além de garantir que as pessoas gostem do filme, Cole espera que a empatia pelo mundo mítico de Pandora possa ter um impacto no mundo real. Grande parte de Pandora é inspirada em ecossistemas, criaturas e comunidades reais do nosso próprio planeta, e os designers desejam que suas representações inspirem uma admiração pela natureza em geral.
“Ao se apaixonarem por Pandora, eles estão, por sua vez, se apaixonando pela Terra”, diz ele, “e se interessando pelo nosso mundo e pela conservação do nosso meio ambiente”.