Quem são os yanomami e qual é o território que eles ocupam na Amazônia

Indígenas dessa etnia habitam a floresta amazônica há pelo menos mil anos. Área onde fica a Terra Indígena Yanomami é essencial para a proteção da biodiversidade amazônica.

Indígenas yanomami na edição de 2022 do Acampamento Terra Livre, em Brasília.

Foto de Marcelo Camargo Agência Brasil
Por Redacción National Geographic
Publicado 25 de jan. de 2023 13:19 BRT

Os yanomami formam um coletivo de caçadores-agricultores cujo contato com grupos não-indígenas é relativamente recente, como explica o Instituto Socioambiental (ISA), organização da sociedade civil que atua na defesa da diversidade socioambiental brasileira. 

Dos mais de 180 povos indígenas que habitam a floresta amazônica, os yanomami mantinham contato apenas com outros indígenas vizinhos até o fim do século 19. No Brasil, os primeiros encontros diretos de yanomamis com não indígenas ocorreram entre as décadas de 1910 e 1940.

Yanomami: quem são e onde vivem

Dados de 2014 do relatório Território e comunidades Yanomami Brasil-Venezuela, realizado pelo ISA e organizações indígenas como a Hutukara Associação Yanomami, indicam que existam aproximadamente 665 aldeias yanomamis entre o Brasil e a Venezuela. Essas comunidades fazem parte de um conjunto cultural e linguístico composto de, pelo menos, quatro subgrupos adjacentes que falam línguas da mesma família: a yanomae, yanõmami, sanima e ninam. 

Segundo o acervo socioambiental do ISA, os povos desse conjunto habitam o norte da floresta amazônica, em um território de aproximadamente 192 mil quilômetros quadrados na região de vale entre os rios Orinoco, na Venezuela, e o Amazonas, no Brasil. 

Em 2011, a população total dos yanomami nesses dois países da América do Sul era estimada em cerca de 35 mil pessoas. Só em áreas brasileiras, segundo dados de 2019 da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligado ao Ministério da Saúde do Brasil, são estimados 28 mil indivíduos. 

O Monte Roraima surge da floresta tropical onde se encontram as fronteiras da Guiana, do Brasil e da Venezuela. A região também é habitada pelos yanomami.

Foto de Renan Ozturk

Em sua imensa maioria, eles habitam a Terra Indígena Yanomami, uma reserva ambiental homologada por decreto federal de maior de 1992. O decreto delimita que a área cobre 9 milhões, 664 mil e 975 hectares (96 mil e 650 km²) – um território que, em tamanho, é maior do que o de Portugal, cuja área é de 92 mil e 212 km²).  

(Veja também: Garimpeiros, fazendeiros e madeireiros ameaçam os últimos indígenas isolados)

Os yanomami ocupam a Amazônia há mil anos

Segundo um levantamento bibliográfico feito e disponibilizado pelo ISA em seu portal, geneticistas e linguistas que estudaram a etnia yanomami deduziram que os povos atuais seriam descendentes de um grupo indígena que permaneceu relativamente isolado há pelo menos mil anos. 

Esse grupo antigo teria ocupado a área das cabeceiras dos rios Orinoco e Parima (que fica atualmente em Roraima) e ali iniciado o seu processo de diferenciação linguística interna por volta de 700 anos atrás. 

(Relacionado: Sistema agrícola tradicional – como os saberes indígenas podem salvar a Amazônia)

De acordo com o que diz a tradição oral yanomami e alguns documentos mais antigos reunidos pelo ISA, o local central onde historicamente os yanomami ocupam encontra-se na Serra Parima, na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. O ISA também informa que essa é a área mais densamente povoada do território yanomami. 

A relação dos yanomami com a floresta amazônica e a preservação ambiental

A presença de povos indígenas está diretamente ligada à preservação da floresta. Um levantamento feito pela organização MapBiomas (rede colaborativa, formada por ONGs, universidades e startups de tecnologia que produz o mapeamento anual da cobertura e uso da terra no Brasil) e divulgado em 2021 mostrou que as áreas mais preservadas do Brasil foram as terras indígenas. O estudo foi feito com base em imagens de satélites e dados de inteligência artificial dos anos 1985 a 2020. 

Apesar de ser uma das mais ameaçadas hoje em dia, segundo boletim do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de 2020, a Terra Indígena Yanomami não foge a regra e é essencial para a preservação da floresta amazônica. 

(Veja também: Pico da Neblina: yanomamis levam turistas de volta ao cume mais alto do Brasil)

Essa preocupação em proteger a floresta está ligada com como os yanomami se relacionam com a natureza. Segundo o ISA, para eles, a urihi (palavra que significa floresta, terra, planeta, território) é a mata que Omama (uma deidade ou entidade yanomami) deu para vivessem de geração em geração. Nesse sentido, a terra cedida para que morassem é chamada de yanomae thëpë urihipë (floresta dos seres humanos).

Davi Kopenawa, líder e xamã yanomami, afirmou em entrevista anterior à National Geographic que os yanomami e demais indígenas são um dos poucos pilares que ainda sustentam a vida no planeta. “Nossa visão, do povo yanomami, é ficar de olho na nossa terra-planeta. É muito importante”, disse. 

Segundo ele, a missão de cuidar da terra foi passada de geração a geração e é essa cultura de cuidado que irá garantir a vida yanomami e da floresta. “Omama que está nos protegendo e à floresta que sustenta a nossa sobrevivência hoje e a das futuras gerações. Nossos filhos vão continuarão a sustentar a floresta.”

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