Quem foi Nelson Mandela e qual a sua importância?

Nascido em 1918, Nelson Mandela entrou para a História mundial como ícone da luta contra o apartheid.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 18 de jul. de 2023, 10:17 BRT
Um pedestre passa pela estátua Marco Cianfelli de Nelson Mandela como um jovem boxeador em frente ...

Um pedestre passa pela estátua Marco Cianfelli de Nelson Mandela como um jovem boxeador em frente ao Marco Cianfelli Magistrates Court. Joanesburgo, África do Sul.

Foto de BRAM LAMMERS

O dia 18 de julho poderia ser uma data do calendário como qualquer outra se uma pessoa, em especial, não tivesse nascido nela: o líder sul-africano Nelson Mandela, considerado uma das personalidades mais importantes da História.

Em 2009, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu que 18 de julho seria o Dia Internacional de Nelson Mandela. Segundo a própria organização, trata-se de um “reconhecimento da contribuição dada pelo ex-presidente da África do Sul à cultura da paz e da liberdade”.

Qual é a história de Nelson Mandela?

Nelson Rolihlahla Mandela, carinhosamente chamado de “Madiba” por seu povo, nasceu em 1918 na pequena vila de Mvezo. Na juventude, foi estudar Direito na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, como explica a Enciclopédia Britannica, serviço de dados voltado para a educação do Reino Unido.

Em 1944, Mandela entrou para a política e juntou-se ao partido Congresso Nacional Africano (CNA), na África do Sul.

Mas o ativismo de Mandela e do CNA logo entrou em rota de colisão com o apartheid, sistema de segregação racial entre negros e brancos que perdurou entre 1948 e 1994 no país africano.

“O apartheid determinava, com base na raça, onde os sul-africanos poderiam morar e trabalhar, o tipo de educação que poderiam receber e até se poderiam ou não votar”, explica a Britannica. No caso, a população negra, imensa maioria na África do Sul, era privada de direitos.

Mandela desempenhou, em 1952, um papel importante em uma campanha que desafiou a chamada lei do passe, legislação determinava que as pessoas não-brancas portassem documentos (no caso, uma espécie de caderneta) autorizando a sua presença em áreas consideradas “restritas”. Isto é, locais reservados para brancos. 

Se um indivíduo negro fosse abordado pela polícia, era obrigado a apresentar o passe.

Mandela viajou por todo o país divulgando a campanha e levantou a bandeira da não-violência como forma de protesto contra a discriminação racial, como conta a Enciclopédia Britannica. Seus atos fizeram com que ele se tornasse um alvo frequente das autoridades da época.

Nelson Mandela e os 27 anos na prisão

Em 1960, depois do Massacre de Shaperville (quando forças policiais atacaram pessoas que protestavam contra o apartheid, deixando cerca de 250 vítimas, entre mortos e feridos), o líder sul-africano deixou de lado a premissa de não-violência e começou a defender atos de sabotagem contra o governo.

Mandela recebeu treinamento de guerrilha na Argélia, norte da África, e foi um dos fundadores do Umkhonto we Sizwe, braço armado do CNA, segundo a Britannica.

No ano de 1963, Mandela foi levado a julgamento sob acusações de sabotagem, traição e conspiração. Acabou sentenciado à prisão perpétua, tendo escapado por pouco da pena de morte.

Nelson Mandela ficou 27 anos preso e, nesse período, tornou-se o grande símbolo da luta contra o apartheid, inclusive para a comunidade internacional. Ele foi solto em 1990, quando o sistema de segregação racial estava se deteriorando.

Mandela é eleito o primeiro presidente negro da África do Sul

Como informa a Britannica, após sair da prisão, Mandela passou a negociar com o governo uma transição pacífica que substituísse o apartheid por uma democracia. Ele também recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1993 e, um ano depois, tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul.

Entre suas medidas como presidente, estão a criação da Comissão da Verdade e Reconciliação (TRC, na sigla em inglês) para apurar violações de direitos humanos no período da apartheid e iniciativas de educação, moradia e desenvolvimento econômico voltadas para a população negra do país.

Mandela deixou a presidência em 1999, mas seguiu como uma voz ativa na defesa da paz e da justiça social em todo o mundo. Em 5 de dezembro de 2013, morreu aos 95 anos, episódio que gerou grande comoção dentro e fora de seu país.

“Nelson Mandela dedicou sua vida ao serviço do seu povo e da humanidade, e ele o fez com grande sacrifício pessoal. Sua posição de princípios e a força moral que sustentou foram decisivos no desmantelamento do sistema do apartheid. Ele ressurgiu, após 27 anos de detenção, sem rancor, determinado a construir uma nova África do Sul com base no diálogo e na compreensão”, declarou, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na ocasião da morte do líder sul-africano.

Mais de dez anos após sua morte, Mandela continua sendo reverenciado como um ícone mundial e já teve a sua trajetória contada em vários filmes, documentários e livros.

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