O que foi a Guerra do Vietnã e quais as suas causas?

Entre 1954 e 1975, houve um conflito armado entre o governo comunista do Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul, apoiado fortemente pelos Estados Unidos.

Estas munições, munições de guerra não detonadas, foram destruídas em 2012 para criar um campo seguro. Os Estados Unidos lançaram mais de dois milhões de toneladas de bombas no Laos entre 1964 e 1973 durante a Guerra do Vietnã, Ban Nan Nu, Laos.

Foto de Stephen Wilkes
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 5 de set. de 2023, 14:56 BRT

Um dos acontecimentos que marcaram o período da Guerra Fria ocorreu no Vietnã e sua lembrança segue muito viva na memória dos principais países envolvidos. 

 O conflito armado colocou o regime comunista do Vietnã do Norte contra o governo do Vietnã do Sul e seu principal aliado, os Estados Unidos.

Quais foram as origens da Guerra do Vietnã

De acordo com a Encyclopædia Britannica (plataforma de dados voltada para a educação do Reino Unido), a Guerra do Vietnã remonta aos conflitos da Indochina das décadas de 1940 e 1950, quando o líder vietnamita Ho Chi Minh enfrentou o domínio colonial primeiro do Japão e depois da França. 

A Liga para a Independência do Vietnã (Việt Minh) foi o exército que se inspirou na União Soviética e na China para lutar contra os franceses durante oito anos em busca da independência

França, financiada e abastecida em grande parte pelos Estados Unidos, acabou derrotada na Batalha de Dien Bien Phu em maio de 1954 e encerrou seu domínio colonial na Indochina. 

Em julho do mesmo ano, negociadores franceses e vietnamitas assinaram o Acordo de Genebra para estabelecer temporariamente uma linha de demarcação territorial que dividiria o Vietnã entre as forças militares francesas e as tropas de Ho Chi Minh, informa a Britannica

Enquanto o norte era liderado pelo exército Việt Minh, sob o comando do Partido Comunista do Vietnã, os franceses no sul transferiram seu poder para o Estado do Vietnã, liderado pelo ex-imperador Bao Dai. 

A Britannica afirma que uma zona desmilitarizada foi criada por 300 dias após a assinatura do acordo para que qualquer civil no sul ou no norte pudesse se retirar da região. O país tinha se programado até mesmo para realizar eleições nacionais em 1956. 

O papel dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã

Um correspondente de guerra americano em patrulha com o exército sul-vietnamita (1962).

Foto de Dickey Chapelle

Assim que a divisão do país entre o Norte e o Sul foi aceita, o presidente dos Estados Unidos na época, Dwight Eisenhower, iniciou um programa de assistência ao Vietnã do Sul. Em 1º de junho de 1954, foi lançada a Missão Militar de Saigon com o objetivo de deter o avanço do comunismo na Ásia.

O primeiro-ministro do Vietnã do Sul na época, Ngo Dinh Diem,  tinha o apoio logístico dos Estados Unidos em questões políticas e de armamento. Em 1955, ele havia consolidado seu poder e se declarado presidente, com forte posição anti-comunista (o que, consequentemente, o colocava em oposição ao Vietnã do Norte).

Qual o ponto principal do conflito na Guerra do Vietnã

Enquanto o Vietnã do Norte tentava unificar todo o país sob um único regime comunista inspirado nas experiências soviética e chinesa, o governo sul-vietnamita lutava para ter um sistema mais alinhado com o Ocidente, principalmente com os Estados Unidos, afirma a Britannica

Na luta contra o Vietnã, as três potências influenciaram e forneceram armamentos e equipamentos de combate.

Tanto a União Soviética quanto a China enviaram armas, suprimentos e conselheiros de guerra para o Vietnã do Norte. Os Estados Unidos forneceram mais de 550 mil militares para servir ao Vietnã do Sul.

O que era o Vietcong?

No final da década de 1960, o Vietnã do Norte já havia formado a Frente de Libertação Nacional (FLN) e o Vietcong, organizações políticas de massa com seus próprios exércitos que buscavam acabar com o regime de Diem no Vietnã do Sul.

De fato, diz a Britannica, a luta armada "parecia ser um excelente exemplo da nova estratégia chinesa e soviética nas nações recém-independentes da Ásia e da África para ajudá-las a subverter conflitos e derrubar os novos governos instáveis". 

A situação se agravou a tal ponto que, em 1961, o então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, optou por expandir o programa de ajuda militar devido ao receio de que a "teoria do dominó" funcionasse no Vietnã e se espalhasse pelo resto da Ásia

A ideia de Kennedy era de que, se o comunismo se estabelecesse no Vietnã, ele se disseminaria para os demais países em todo o Sudeste Asiático. 

Dois anos depois, em 22 de novembro de 1963, Kennedy foi assassinado nos Estados Unidos e seu sucessor, Lyndon Johnson, herdou a missão no Vietnã. 

O presidente Lyndon B. Johnson cumprimenta um soldado americano durante a Guerra do Vietnã.

Foto de Yoichi R. Okamoto

Quem venceu a Guerra do Vietnã?

A questão de quem saiu vitorioso tem duas respostas, dependendo de como a palavra “vitória” é interpretada, diz a Britannica

Embora a retirada das tropas norte-americanas tenha sido considerada uma derrota, o fato de que a maior parte dos conflitos acabou vencida pelos Estados Unidos foi vista como um triunfo.

Por outro lado, há uma segunda resposta que favorece os norte-vietnamitas. Partindo do preceito que os Estados Unidos entraram no Vietnã com o objetivo principal de impedir uma tomada comunista, eles fracassaram. 

O Vietnã do Norte e o Vietnã do Sul foram unidos sob uma bandeira comunista em julho de 1976. A agitação interna na forma de pressão pelo fim do conflito e o custo financeiro da guerra tornaram a retirada das tropas uma necessidade para os Estados Unidos, não uma escolha, conclui a Britannica.

Quantas pessoas morreram na Guerra do Vietnã

Em 1995, o país publicou o número de mortos durante a guerra que durou duas décadas (de 1954 a 1975). Conforme relata a Britannica, um total de 2 milhões de mortes de civis foi registrado em ambos os lados (Vietnã do Sul e Vietnã do Norte). Além disso, 1,1 milhão de combatentes norte-vietnamitas morreram.

Uma mão se estende à procura de um nome no Muro do Vietnã.

Foto de Steve Raymer

Do lado dos Estados Unidos, o exército estima que entre 200 e 250 mil soldados sul-vietnamitas e 58 mil norte-americanos morreram em combate.

A lista de perdas inclui ainda outros países que lutaram pelo Vietnã do Sul: 4 mil soldados sul-coreanos, mais de 500 soldados da Austrália, cerca de 350 da Tailândia e 36 soldados da Nova Zelândia.

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