Uma onça-pintada fêmea descansa na margem de um afluente do rio Cuiabá, um dos rios do ...

Que animais estão ameaçados pelas queimadas no Pantanal?

Da onça-pintada, um dos símbolos do bioma no Brasil, passando por jacarés e cobras, diversas espécies correm risco diante do desequilíbrio ambiental e do fogo na região.

Uma onça-pintada fêmea descansa na margem de um afluente do rio Cuiabá, um dos rios do Pantanal, que fica no estado brasileiro do Mato Grosso.

Foto de MAX LOWE
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 27 de jun. de 2024, 07:02 BRT

Pantanal é um bioma que ocupa não só o Brasil, mas outros países da América do Sul como Paraguai e Bolívia, em um total de mais de 150 mil km². Esta enorme área, que deveria estar protegida por suas características particulares, como ser uma das maiores planícies úmidas do planeta, tem fauna e flora únicas, como explica o site do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do governo federal do Brasil. 

Em terras brasileirasapenas 4,6% do Pantanal encontram-se protegidos por unidades de conservação, sendo que 2,9% desse total correspondem a áreas de proteção integral, e outros 1,7% estão liberados para serem usados “de maneira sustentável”, detalha a fonte oficial.

Essa planície pluvial depende dos rios que saem da  bacia do Alto Paraguai, bem como da umidade que vem dos rios voadores da Amazônia. Por isso, trata-se de uma região que já vem sendo bastante afetada pelas mudanças climáticas e por queimadas descontroladas, grande parte provocadas por atividade humana, como detalha o artigo do Ministério do Meio Ambiente. 

As queimadas no Pantanal vêm aumentando nos últimos anos. Em 2024, no entanto, o fogo começou antes da chamada "estação seca", que é quando para de chover na região e diversas partes do bioma pantaneiro estão em perigo. 

Foto de Joédson Alves Agência Brasil

Quantas espécies de animais e plantas existem no Pantanal brasileiro?

Toda essa situação gera impactos enormes na biodiversidade do Pantanal ameaça diretamente os animais típicos da região. Estudos já catalogaram um enorme número de espécies dos mais diversos gêneros na fauna e na flora. “Quase 2 mil espécies de plantas já foram identificadas no bioma e classificadas de acordo com seu potencial – e algumas apresentam vigoroso potencial medicinal”, detalha o site da  Embrapa Pantanal, banco de informações governamental com dados climáticos da região.

Já em relação aos animais, dados publicados pelo Ministério do Meio Ambiente indicam que as espécies catalogadas seriam: 263 espécies de peixes41 espécies de anfíbios113 espécies de répteis463 espécies de aves132 espécies de mamíferos sendo 2 endêmicas – ou seja, que são nativos somente da região do Pantanal. 

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    Uma serpente morta por conta de um dos muitos incêndios florestais que já atingiram o Pantanal.

    Foto de Joédson Alves Agência Brasil

    Os principais animais ameaçados pelo fogo no Pantanal

    Conforme o MapBiomas (rede multi-institucional que reúne universidades, instituições e empresas de tecnologia), o número de focos de incêndios no Pantanal em 2024  supera o registrado no mesmo período de 2020, que foi o ano recorde de queimadas em todo o bioma e que afetou mais de 65 milhões de animais vertebrados da região, entre répteis, anfíbios, mamíferos e aves

    De acordo com uma lista formulada pela Universidade Mackenzie, localizada em São Paulo, que coincide com outra listagem elaborada pelo Instituto SOS Pantanal, os animais mais ameaçados pelas queimadas no Pantanal, são: 

    • Onça-pintada (panthera onca): a única espécie do gênero panthera na região, está no topo da cadeia alimentar do Pantanal, sendo sua presença mais comum no Parque Estadual do Encontro das Águas, no estado do Mato Grosso. Além de sofrer com diversos os incêndios, as onças-pintadas também enfrentam a caça ilegal.
       
    • Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla): presente também em outros biomas brasileiros e lugares da América Latina, é um mamífero bem comum no Pantanal e que pode chegar a ter 2 metros de comprimento e pesar 45 kg. O tamanduá-bandeira sofreu muito ao longo dos grandes incêndios de 2020 e é preocupante sua situação atual. 

    Uma ariranha se alimenta em um rio no Pantanal localizado no estado Mato Grosso do Sul, no Brasil.

    Foto de Steve Winter
    • Ariranha (Pteronura brasiliensis): espécie considerada em perigo pela Lista Vermelha União Internacional para a Conservação da Natureza (Iucn). É uma espécie bem tradicional do Pantanal, típica dos rios da região. Porém, as secas e as queimadas afetam essa espécie diretamente. 
       
    • Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus): apesar do nome, esse grande cervídeo (que pode pesar até 130 kg) é comum também em outras regiões do Brasil e da América do Sul. Ele possui uma membrana protetora em seus cascos, que permite a ele conseguir ficar longos períodos em regiões alagadiças como o Pantanal.

    A arara-azul tem no Pantanal brasileiro um de seus habitats mais comuns. Por isso, também segue ameaçada. 

    Foto de Steve Winter
    • Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus): essa bela ave é encontrada em outros locais, mas o Pantanal é seu principal habitat sendo que no bioma, 90% de seus ninhos são feitos em uma única espécie de árvores: o manduvi. Os incêndios e secas afetam a mata e acabam forçando a migração dessas aves. 

    Os jacarés estão presentes nos rios pantaneiros e necessitam de abundância de água para se alimentar e viver. 

    Foto de Steve Winter
    • Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare): comumente encontrado em regiões alagadas é um dos maiores predadores do Pantanal. Esse jacaré é um animal que sofre muito com as secas, queimadas e também com a caça ilegal (por conta de seu couro). 
    • Sucuri-amarela (Eunectes notaeus): essa serpente não venenosa é encontrada na América do Sul, sendo bem comum no Pantanal. Tem hábitos aquáticos e, por isso mesmo, o ambiente mais seco e com incêndios prejudica o seu habitat natural. 
       
    • Surucucu-do-pantanal (Hydrodynastes gigas): essa serpente de grande porte pode atingir até 3 metros de comprimento. Apesar do nome, ela é de outra família da surucucu comum e não é peçonhenta.

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