Dia dos namorados: o que acontece com o corpo quando nos apaixonamos

Algumas substâncias conhecidas como “hormônios do amor” causam reações físicas que são relacionadas à sensação de estar apaixonado.

Por Redacción National Geographic
Publicado 12 de jun. de 2023, 12:50 BRT
Vendedor de balões em formato de coração pelas ruas de Cabul, no Afeganistão.

Vendedor de balões em formato de coração pelas ruas de Cabul, no Afeganistão.

Foto de Kiana Hayeri

Você já ouviu a expressão “doente de amor”? Ainda que o amor não seja considerado uma enfermidade pela medicina, ele é frequentemente descrito assim pelos apaixonados, que sentem sintomas como coração batendo acelerado, falta de ar, palmas das mãos suadas e as famosas “borboletas do estômago.”

Acontece que, por mais que não seja comprovado que o amor possa deixar alguém doente, ele afeta o corpo humano de diversas formas, mexendo com a química do organismo.

(Relacionado: Por que amor e toques eram considerados 'perigosos' e como a ciência provou o contrário nos anos 1950)

O amor aumenta os níveis de estresse e deixa a mente obsessiva

Segundo Richard Schwartz, professor associado de psiquiatria na Faculdade de Medicina de Harvard (HMS), nos Estados Unidos, um dos primeiros efeitos da paixão é o aumento do cortisol, o hormônio do estresse

“Os níveis de cortisol aumentam durante a fase inicial do amor romântico, preparando nossos corpos para lidar com a ‘crise’”, afirmou o médico em artigo divulgado pela Harvard intitulado “Amor no Cérebro”. 

Como o cortisol atua como regulador de humor, pressão arterial e quantidade de açúcar no sangue, é o aumento desse hormônio que nos faz sentir os “sintomas da paixão”, como o coração acelerado. 

À medida que o hormônio do estresse aumenta, os níveis do neurotransmissor serotonina se esgotam. E baixos níveis de serotonina precipitam comportamentos obsessivo-compulsivos associados à paixão, o que Schwartz descreve como "pensamentos invasivos, obcecados e aterrorizantes do amor precoce". 

O amor causa sensação de bem-estar

O médico da Harvard, que estuda há anos o efeito do amor no corpo humano, diz que estar apaixonado também libera altos níveis de dopamina, uma substância química que ativa o sistema de recompensa do cérebro

O hormônio, produzido pelo hipotálamo, é liberado quando se atua em aatividades que fazem a pessoa se sentir bem, e que podem incluir passar tempo com pessoas queridas,  sexo e até certos alguns vícios

De acordo com o mesmo artigo da universidade norte-americana, a dopamina ajuda a tornar o amor uma experiência prazerosa semelhante à euforia associada ao uso de cocaína ou álcool

Isso porque, de acordo com outro material divulgado pela escola de Medicina de Harvard intitulado “Amor, de verdade: a ciência por trás da luxúria, atração e companheirismo”, a atração por alguém libera altos níveis de dopamina e noradrenalina. 

Essas substâncias nos deixam eufóricos, energéticos e felizes, chegando até a diminuir o apetite e causar insônia – o que significa que você realmente pode estar tão "apaixonado" que não consegue comer ou dormir. 

Quando a paixão vira um amor tranquilo

Assim como a Lua, Schwartz diz no artigo que o amor tem suas fases. Se a fase inicial do amor romântico é obsessiva e descontrolada, durante o primeiro ano de relação, os níveis de serotonina gradualmente retornam ao normal, e os aspectos "estúpidos" da condição se moderam. 

Esse período, segundo o artigo da Harvard, é seguido por aumentos na ocitocina, também conhecida como hormônio do amor, um neurotransmissor associado a uma forma mais calma e madura de amor. A substância provoca sentimentos de contentamento, tranquilidade e segurança, que geralmente estão associados ao vínculo entre parceiros. 

“A ocitocina ajuda a fortalecer os laços, aumentar a função imunológica e começar a conferir os benefícios para a saúde encontrados em casais casados, que tendem a viver mais, ter menos derrames e ataques cardíacos, estar menos deprimidos e ter maiores taxas de sobrevivência a cirurgias importantes e câncer”, disse o médico no artigo da Harvard. 

A explicação científica do porquê o “amor é cego”

Ainda segundo o artigo “Amor no Cérebro”, além dos sentimentos positivos que o romance traz, o amor também desativa a via neural responsável por emoções negativas, como medo e julgamento social. 

Quando estamos envolvidos em um amor romântico, o mecanismo neural responsável por fazer avaliações críticas de outras pessoas, incluindo avaliações daqueles com quem estamos romanticamente envolvidos, se desliga. "Essa é a base neural para a antiga sabedoria de que 'o amor é cego'", disse Schwartz.

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