No dia do aniversário de São Paulo, descubra 5 fatos surpreendentes sobre a Avenida Paulista

A cidade de São Paulo celebra 470 anos e seu principal símbolo se fortalece como a síntese das várias faces dessa megalópole.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 23 de jan. de 2024, 14:46 BRT
A Avenida Paulista é um símbolo de São Paulo e um retrato das mudanças que a ...

A Avenida Paulista é um símbolo de São Paulo e um retrato das mudanças que a megalópole vem passando a cada década.

Foto de Divulgação Secretaria de Turismo do Governo do Estado de São Paulo

No dia 25 de janeiroSão Paulo chega aos 470 anos de sua fundação, que se deu em uma missão de padres jesuítas (entre eles Manuel da Nóbrega e José de Anchieta). Eles fundaram, nessa mesma data em 1554o Pateo do Collegio, um colégio da Companhia de Jesus que marcou o início da cidade, como explica o site da Alesp (Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo). 

A região onde hoje está São Paulo era conhecida como Planalto de Piratininga e começou a ser colonizada por quem subia a Serra do Mar vindo de São Vicente, no litoral paulistaO povoado que se formou nos arredores do Pateo do Collegio ganhou o nome de São Paulo de Piratininga, de acordo com o site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

No início, a vila sobrevivia de agricultura de subsistência, depois seguiu com algumas fazendas de cana-de-açúcar, mas foi na virada para o século 19 que a história de São Paulo mudou, graças à expansão da cultura do café – período também marcado pela vinda de imigrantes de diferentes lugares do mundo, conta o IBGE. 

Nessa época, uma região alta da cidade, mais distante do centro, passou a abrigar as mansões dos ricos cafeicultores e primeiros industriais locais. Nascia, aos poucos, onde hoje é o verdadeiro coração da cidade: a Avenida Paulista

Conheça, a seguir, um pouco mais sobre a história dessa emblemática via, alguns fatos que marcam sua existência e como ela se tornou o maior símbolo de São Paulo.

1. A Avenida Paulista foi criada em homenagem aos… paulistas

Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891, com a finalidade de expandir na cidade as áreas residenciais de São Paulo que até então estavam concentradas no Centro, como nos arredores da praça da República, em Higienópolis e nos Campos Elísios. Nos anos 1880, o local pertencia à Chácara do Capão, propriedade de Manuel Antônio Vieira. 

Poucos anos depois, com mais dois sócios, o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima adquiriu parte da Chácara do Capão e projetou a Avenida Paulista (a primeira avenida planejada da cidade), batizando-a em homenagem à população, como explica o site da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo). 

Seu projeto foi inovador já que, na épocaSão Paulo  tinha cerca de 100 mil habitantes, mas já começava a ser um polo comercial e industrial. Construída no topo do Morro do Caaguaçu (como os indígenas chamavam a região anteriormente), a Avenida Paulista continua sendo umas das mais altas da cidade, pois fica 900 metros acima do nível do mar, de acordo com a FAU. 

Outra curiosidade é que a Avenida Paulista foi a primeira via a ser asfaltada na capital, em 1909, com material importado da Alemanha.

Imagem atual da Casa das Rosas, um dos poucos casarões clássicos que ainda estão na Av. Paulista e que passou por uma restauração que trouxe de volta grande parte da beleza original do projeto criado pelo escritório de Ramos de Azevedo em 1935.

Foto de Divulgação André Hoff

2. A Avenida Paulista já teve belos casarões 

As primeiras mansões construídas na nova avenida da cidade, ainda no final do século 19 e início do século 20, eram de propriedade da elite paulistana que crescia pouco a pouco e continha desde os novos-ricos industriais, passando por grandes comerciantes e até os nobres barões do café

Os palacetes localizados nesse endereço tinham os mais variados estilos arquitetônicos – florentino, neoclássico, mourisco, classicismo francês a até art-nouveau, de acordo com a FAU.

Atualmente, poucos desses históricos casarões seguem de pé na Avenida Paulista e os que restam se tornaram prédios comerciais ou públicos (como o do Instituto Pasteur e a Escola Estadual Rodrigues Alves). 

Um local, no entanto, se destaca na paisagem atual da Paulista e ainda remete aos tempos das mansões: é a Casa das Rosas (criada em de 1935) – e atualmente um museu mantido pelo Governo do Estado de São Paulo. 

Casa das Rosas foi recentemente restaurada (reinaugurou em outubro de 2023) para mostrar as belezas originais de seu belo projeto criado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo (que também projetou o Teatro Municipal). Desde 1991, o local é um espaço cultural pertencente ao governo do estado.

O edifício do Masp (Museu de Arte de São Paulo), criativo projeto de Lina Bo Bardi, visto da Av. Paulista, um dos pontos turísticos mais conhecidos de São Paulo. 

Foto de Eduardo Ortega Acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubrind

3. De endereço residencial para o “boom” dos edifícios modernos: a mudança na Avenida Paulista

Ainda nos anos 1920 e 1930, a Avenida Paulista seguia como sinônimo de endereço dos casarões dos ricos, ao mesmo tempo em que sua importância para a cidade começava a crescer.

Ela foi palco de alguns desfiles de Carnaval desde meados dos anos 1920, mas a partir dos anos 1940 e 50 começa a “mudar de cara”. Isso porque os primeiros edifícios comerciais se instalaram nos lotes das antigas mansõespostas abaixo (sem muita consideração pelo seu valor histórico), como conta o site da FAU.

Nessa época, São Paulo vivia sua expansão física para demais bairros e a elite paulistana buscava locais mais reservados. Em contrapartida, as empresas se multiplicavam e a capital paulista se tornava o centro financeiro do país – e a Paulista, sua nova casa. Foi nesse período que foi construído um dos primeiros grandes prédios do local, o  Edifício Anchieta, entre a Paulista e a Avenida Consolação, inaugurado em 1941 e de pé até hoje no local. 

Um dos prédios mais famosos da Avenida Paulista e em plena atividade ainda hoje, o Conjunto Nacional foi inaugurado em 1956, segundo a FAU, e já era bem inovador desde sua concepção, unindo um espaço residencial, comercial, de serviços e lazer. 

Pouco tempo depois, em 1968, outro importante símbolo da Avenida Paulista e de São Paulo é inaugurado o prédio do MASP (Museu de Arte de São Paulo) – com o ousado e belo projeto da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. O MASP chama a atenção de quem passa pela avenida por conta de seu impressionante vão livre de mais de 70 metros que se estende sob quatro grandes pilares. 

4. O estilo vanguardista da Avenida Paulista

Ao longo das décadas, a Avenida Paulista foi se fortalecendo cada dia mais como um local de vanguarda, onde as ações mais importantes da cidade acontecem, seja comemoraçõeseventos até a manifestações políticas e sociais. Um clássico exemplo é a Corrida de São Silvestre, que é um marco do último dia do ano em São Paulo desde dezembro de 1924, quando foi criada pelo jornalista Cásper Líbero, de acordo com o site da Prefeitura de São Paulo.

A primeira edição da corrida contou com apenas 48 corredores, mas já tinha como endereço de largada a Avenida Paulista – na época, os competidores saíam em frente ao Parque Trianon, mas há muitos anos a largada é em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero e também é finalizada na avenida. O sucesso da corrida é claro, tanto que ela segue até hoje sendo realizada e na última edição, em dezembro de 2023, teve mais de 34 mil inscritos entre homens e mulheres do Brasil e do mundo.

A Paulista também é palco de eventos culturais e sociais, como a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo – hoje uma das maiores do mundo – que desde 1997 é realizada na avenida e movimenta toda a região, recebendo um público médio de 4 milhões de pessoas, segundo o site oficial da organização do evento. Todos os anos a Avenida Paulista também é o local da principal festa de Réveillon da cidade reunindo milhares de pessoas, com vários shows de grandes artistas nacionais e grande queima de fogos

5. Como a Avenida Paulista se tornou o centro cultural e o símbolo de São Paulo

A avenida, que já foi um local residencial da elite paulistana, depois centro financeiro da cidade (que migrou para av. Faria Lima), pouco a pouco foi ganhando importância por sua história e espírito vanguardista e, hoje, é o principal centro cultural de São Paulo – se tornando o símbolo da cidade, refletindo como o seu estilo multifacetado e cosmopolita

Ao longo da Paulista estão diferentes espaços culturais e museus em que o público pode aproveitar desde exposições de obras clássicas mundialmente conhecidas, com obras de Renoir e Monet, a assistir peças teatrais gratuitas e ver trabalhos de artistas japoneses contemporâneos. 

Um museu clássico já citado aqui é a Casa das Rosas, quase em frente a ela está o moderno espaço criado e mantido pelo Governo do Japão desde 2017: a Japan House. Lá, é possível ver exposições de artistas japoneses atuais e saborear delícias típicas. Nas proximidades, há o Itaú Cultural, um espaço cultural que reúne exposições e apresentações musicais e teatrais. 

Outro importante ponto turístico e cultural da Avenida Paulista é o novo Sesc Paulista, que depois de 10 anos de reforma reabriu em 2018 e além de abrigar exposições temporárias contemporâneas, tem espaço de showsteatro e, ainda, um mirante no 17º andar de onde é possível ter uma das melhores vistas da avenida. 

MASP, além de ser um marco arquitetônico da Paulista, é também um dos principais museus de São Paulo por ter um dos mais importantes  acervos do Brasil (além de realizar exposições temporárias), com obras de Vincent van GoghCândido PortinariClaude MonetAnita MalfattiDi CavalcantiPierre-Auguste Renoir, entre outros. 

A Avenida Paulista ainda tem o Centro Cultural Fiesp, inaugurado em 1964 e que promove exposições, shows e peças de teatro. E, desde 2017, a avenida também recebeu a unidade paulistana do Instituto Moreira Salles, um prédio moderno projetado pelo escritório Andrade Morettin Arquitetos quase no final da avenida que tem como foco exposições fotográficas e incentivar o cinema de arte, além de possuir uma biblioteca de fotografia aberta ao público, um restaurante de comida brasileira e um mirante com uma bela vista da avenida. 

Além disso, a região da Avenida Paulista abriga alguns dos principais cinemas de rua da cidade (Reserva Cultural, Cine Marquise e Bellas Artes) se reafirmado como o maior centro cultural de São Paulo nas diferentes vertentes artísticas. 

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