Como é feito um transplante de coração? Os 7 fatos sobre uma das cirurgias mais revolucionárias da medicina

Entenda quem tem prioridade na fila de transplante de coração, os riscos da cirurgia e outros pontos.

Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 24 de ago. de 2023, 12:40 BRT
Um grupo de cirurgiões em ação em um hospital do Michigan, nos Estados Unidos

Um grupo de cirurgiões em ação em um hospital do Michigan, nos Estados Unidos

Foto de Lynn Johnson

O primeiro transplante de coração no mundo, realizado de uma pessoa para outra, foi realizado pelo médico sul-africano Christiaan Barnard, em 1967, na África do Sul.

Barnard liderou uma equipe de 20 cirurgiões na operação que substituiu o coração do paciente, um homem lituano chamado Louis Washkansky, pelo órgão retirado da vítima de um acidente fatal, como explica a Encyclopædia Britannica, plataforma de dados voltada para a educação do Reino Unido. 

De lá para cá, a medicina evoluiu muito e os transplantes foram tornando-se cada vez mais seguros. 

No primeiro semestre de 2023, foram realizados 206 transplantes de coração no Brasil. O número representa um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde.

Para falar sobre o tema, National Geographic Brasil entrevistou o médico João Vicente da Silveira, doutor em cardiologia e cardiologista do Hospital Sírio Libanês, na cidade de São Paulo, esclarecendo alguns pontos relativos sobre como funciona um transplante de coração.

1. Como é feito o transplante de coração e para quem é recomendado

Nesse tipo de transplante, a pessoa tem seu tórax aberto e o coração retirado. No lugar, é colocado o órgão do doador (uma pessoa já falecida cuja família autorizou a doação) e que tenha compatibilidade com o receptor do órgão.

“O transplante é recomendado quando o paciente apresenta uma insuficiência cardíaca grau 4, a mais grave, em que o coração não consegue mandar a quantidade de sangue e oxigênio para todos os tecidos do organismo”, explica Silveira. A cirurgia leva em torno de quatro a seis horas – mas o tempo para execução pode sofrer  variações caso a caso.

2. O transplante de coração é mais comum em adultos

De acordo com o médico, não existe uma idade específica para que o paciente tenha maior probabilidade de ser submetido a um transplante cardíaco.

No entanto, a maioria dos casos no mundo acontece em adultos, sendo raros os transplantes de coração em bebês e crianças. 

3. A compatibilidade no transplante de coração

Sempre que se fala em transplante de órgãos, há dúvidas sobre como funciona a questão da compatibilidade – isto é, quem pode doar para quem.

No caso do transplante cardíaco, a compatibilidade se dá pelo sistema sanguíneo, o que significa que os tipos de sangue do doador e do receptor devem ser compatíveis. 

“Existe também uma outra compatibilidade baseada na área de superfície corpórea. Não se pode pegar o coração de uma pessoa muito alta, com o tórax bastante aumentado e colocar em uma pessoa muito magra, de estatura muito baixa”, afirma o cardiologista.

Numa sala de cirurgia do Royal Papworth Hospital, uma equipe médica usa suturas Gore-Tex para reparar a válvula mitral danificada de um paciente, em Cambridge, Inglaterra.

Foto de Paolo Woods GABRIELE GALIMBERTI

Os cuidados de quem recebeu um coração transplantado não se encerram na cirurgia. A pessoa que recebe o transplante deve ser acompanhada pelo médico, seguir certas orientações  e fazer exames de controle.

Silveira esclarece, que após o quadro ser estabilizado, o indivíduo pode, sim, levar uma vida normal, com a possibilidade de praticar esportes e atividades físicas regulares, incluindo até mesmo jogar futebol.

No entanto, não são recomendáveis os esportes de alto impacto e em caso de dúvidas específicas sobre qual modalidade praticar ou não é necessário consultar o médico que está acompanhando o caso.

5. Como funciona o sistema de transplantes no Brasil

Brasil conta com o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), que é responsável pela regulamentação, controle e monitoramento do processo de doação em todo país. 

O SNT está sob competência do Ministério da Saúde, ou seja, faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Os pacientes que precisam de transplante entram na fila do SNT. Antes de entrar na fila, o médico faz uma avaliação e cadastra esse indivíduo já com todos os critérios de inclusão, atestando que ele está apto a receber o transplante de um determinado órgão”, diz Silveira.

Obviamente, há critérios que definem a prioridade na fila – um deles é a gravidade de cada caso.

6. Qual o tamanho da fila para receber um transplante de coração

O Ministério da Saúde registra  386 pessoas à espera de um transplante de coração no Brasil, segundo dados atualizados em 23 de agosto de 2023.

No total, 66 mil indivíduos em território brasileiro aguardam transplantes de órgãos. A maior fila é para receber um rim, com 37 mil pessoas. 

7. Como ser um futuro doador de coração e outros órgãos

No Brasil, a doação de órgãos e tecidos só é feita após a autorização familiar. Quem tem desejo de ser um doador após a morte deve conversar com seus familiares próximos e deixar essa vontade clara.

“Se a família não autorizar a doação, os órgãos não serão retirados e a oportunidade da realização dos transplantes, tirando pessoas das listas e devolvendo qualidade de vida, será perdida.  Na maioria das vezes, os familiares atendem a esse desejo. Por isso, a informação e o diálogo são absolutamente fundamentais”, esclarece o Ministério da Saúde em seu site oficial.

Já na América Latina como um todo, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) relata que a região enfrenta muita desigualdade na capacidade de realização de transplantes. 

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