Dia Internacional dos Povos Indígenas: novo Censo traz 7 dados surpreendentes sobre os povos originários brasileiros

O país registra um aumento de quase 89% no número de indígenas e, ao contrário do que se pode pensar, a maioria deles vive bem longe das florestas.

Flechas feitas de penas de gavião real estão alinhadas contra uma parede. Mato Grosso, Brasil.

Foto de Karine Aigner
Por Redação National Geographic Brasil
Publicado 8 de ago. de 2023, 12:01 BRT

Neste 9 de agosto é comemorado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de reconhecer a importância dos povos originários e a necessidade de protegê-los. 

No Brasil, o mais recente raio-x sobre esta parcela da população foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) através de dados do Censo 2022. As informações ajudam a entender a situação atual dos indígenas no país, principalmente no momento em que a proteção desses povos ganhou um espaço maior nas discussões sociais e ambientais com a repercussão das disputas acerca da Terra Indígena Yanomami.

A história e a cultura brasileiras têm os indígenas como parte vital de sua existência. Por isso, é importante conhecer estes 7 dados surpreendentes trazidos pelo IBGE, os quais mapeiam quantos são, onde vivem e como estão os povos originários do território brasileiro.

1. O número de indígenas que vivem no Brasil aumentou

A população indígena chegou a mais de 1,69 milhão de pessoas (0,83% da população total) distribuídas por diferentes estados. Esse número é cerca de 89% maior do que foi trazido pelo Censo anterior, realizado em 2010. 

Na época, foram contados mais de 896 mil indígenas no Brasil – ou seja, praticamente a metade do que foi contabilizado em 2022. 

2. Mais indígenas vivem fora de territórios reservados a povos originários 

Visto de maneira isolada, o número pode dar a impressão de que a população indígena teria apresentado um boom surpreendente em um curto período de tempo.

Entretanto, a explicação, segundo o próprio IBGE, está em algumas mudanças na metodologia do Censo. Foi incluída a pergunta “você se considera indígena?” para os entrevistados em locais fora dos territórios indígenas, mas que contam com presença comprovada de povos originários.

Ou seja, a novidade facilitou a identificação. Outro ponto é o que o instituto chama de “cartografia participativa”, a participação dos próprios indígenas na realização do Censo. 

“Ao colaborarem com a cartografia, os povos indígenas, em suas organizações nas cidades e na área rural, se sensibilizaram para o Censo. O Amazonas, por exemplo, fez grandes mobilizações também na área urbana. Então, quando o Censo chega para as pessoas que se mobilizaram para fazer a base territorial, elas sabem que o objetivo é contá-las”, explicou a responsável pelo projeto de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, Marta Antunes, em nota oficial no site do instituto.

Para compreender melhor o aumento é necessária também uma análise profunda sobre dados ainda não divulgados de fecundidade, mortalidade e migração dos povos indígenas.

3. Bahia e Mato Grosso possuem um número maior de povos originários do que Roraima 

Juntas, as regiões Norte e Nordeste concentram aproximadamente 75% da população indígena do Brasil. Os estados com a maior quantidade de pessoas desse grupo são:

  • Amazonas: cerca de 490 mil indígenas
  • Bahia: cerca de 229 mil indígenas
  • Mato Grosso do Sul: cerca de 116 mil indígenas
  • Pernambuco: cerca de 106 mil indígenas
  • Roraima: cerca de 97 mil indígenas

Por outro lado, Sergipe é o estado com a menor população indígena em números totais, registrando pouco mais de 4,7 mil pessoas.

4. A Amazônia Legal é o lar de mais de 800 mil indígenas

Os dados do Censo 2022 registraram 867,9 mil indígenas vivendo na Amazônia Legal, o equivalente a 51,25% do total. 

Amazônia Legal é um recorte geográfico que abrange uma área de aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados. Fazem parte dela os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão.

5. A terra indígena mais habitada do Brasil é a Yanomami

Os yanomamis estão distribuídos entre o Brasil e a Venezuela.

Os yanomamis estão distribuídos entre o Brasil e a Venezuela.

Foto de Robert Madden

As terras indígenas são territórios legalmente destinados à posse permanente das comunidades que as ocupam. De acordo com o IBGE, a Terra Indígena Yanomami é a que possui a maior quantidade de pessoas que se identificam como parte dos povos originários: 27 mil indivíduos, aproximadamente.

Esse território está localizado nos estados do Amazonas e Roraima, próximo à Venezuela, e tem sofrido com a ação ilegal de garimpeiros e com a contaminação dos rios por mercúrio (metal nocivo à saúde e ao meio-ambiente usado na extração de minérios).

6. A maioria dos indígenas não vive isolado nas florestas

Até hoje existe uma visão estereotipada de que todos os indígenas vivem isolados nas florestas. Na verdade, os povos originários estão presentes em vários lugares: cidades de grande, médio e pequeno porte; capitais; interior; litoral; áreas rurais; periferias; entre outras. 

Do total de 1,69 milhão contabilizado pelo IBGE, 1,1 milhão vive fora de terras indígenas – o equivalente a 63,27%. 

7. Os indígenas estão em 86,7% dos municípios brasileiros

O Brasil tem 5.568 municípios e 4.832 deles possuem moradores que se identificam como indígenas (86,7% do total).

Manaus, capital do Amazonas, é a cidade brasileira com a maior quantidade de indígenas: 71,7 mil pessoas. Em seguida, estão São Gabriel da Cachoeira (com 48,3 mil) e Tabatinga (34,5 mil), ambas também amazônicas. 

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